Platão, no livro “A
República,” já no final do livro II, narra o debate entre Sócrates (seu mestre)
com Glauco e Adimanto. Ali são expostos os pensamentos do grande filósofo
Sócrates instruindo de como se ter uma cidade forte ou, em outras palavras, o
que se deveria fazer para o fortalecimento da sociedade.
Embora
tenham se passados tantos séculos, os conselhos daquele que conhecia a fundo a
alma humana, ainda continua mais atual que nunca.
Sócrates
dizia: “como era costume entre os gregos,
a educação deveria oferecer ginástica para o corpo e música para a alma. A
educação começaria pela música, que inclui as outras formas literárias, como as
fábulas e as poesias. Mas seria preciso separar na poesia o que é verdadeiro e
formativo do que é falso e prejudicial à formação das crianças. De fato, mesmo
os maiores poetas – como Hesíodo e Homero – fantasiam muitas coisas e dizem
mentiras nos seus poemas, principalmente quanto ao comportamento dos deuses,
atribuindo-lhes condutas indignas da sua condição divina, como o ciúme, a
inveja, as conspirações, os mais variados crimes, além de inimizades e guerras
entre eles. Mesmo que haja alguma verdade no que dizem os poetas, deve-se evitar narrar essas coisas ás
crianças, por que elas ainda não são capazes de distinguir o que é alegórico do
que não é. Na verdade, seria preciso
propor novos padrões de composição para que os poetas narrem histórias
orientadas para a virtude, uma vez que a primeira formação marca
definitivamente a alma das crianças”.
Que
conselho para a formação de um cidadão, cuidar do corpo e da alma! Infelizmente,
a nossa sociedade atual não zela por nenhum dos dois, nem do corpo e muito menos
da alma e por isso mesmo temos formado esta sociedade tão frágil e corrompida.
Em especial, nossos jovens não exercitam mais o físico (corpo), pois estão presos
ás tecnologias eletrônicas que não lhes permitem tempo para outra atividade
qualquer.
Brincadeiras
antigas que exigiam correr, pular, como o pega-pega, bandeira, esconde-esconde,
amarelinha, entre outras, que eram a alegria da geração passada, estão
praticamente abolidas nos dias atuais.
Mas, é
verdade que também não temos tratado da alma de nossas crianças e jovens, não nos
importamos mais com os bons livros, boas músicas ou uma programação em família,
não mais filtramos como aconselhou Sócrates o que irá fazer mal á alma. Nossas
crianças, desde a mais tenra infância, estão expostas a uma programação
televisiva pobre de valores e, pior ainda, as redes sociais despejam todo tipo de
lixo na alma de nossas crianças. Se Sócrates
preocupava-se que as crianças de sua época aprendessem condutas indignas
como o ciúme, a inveja e a mentira, o que então não nos deve preocupar com os exemplos
e condutas que são ensinados em nossos dias? Não é de se admirar que estamos
formando uma geração de jovens sem perspectivas para o futuro, jovens sem
objetivos na vida e imaturos. Estamos lançando sobre nossas crianças todo tipo
de programação e ensino criados em mentes doentias, com uma programação onde se
vê sexo a toda hora, drogas e guerras e onde as mortes são coisas normais. A
mídia tem liberdade absoluta para criar uma programação deturpada, que
diariamente entra em nossos lares entregando aos nossos filhos um produto
pronto que é aceito sem nenhuma contestação. Como pais, nos esquecemos do
conselho de Sócrates de que as crianças “não
conseguem distinguir o que é alegórico do que não é”.
Temos
confiado ao Estado, a Igreja e a mídia a formação de nossos filhos. Está na
hora de como pais tomarmos a responsabilidade que é nossa e investirmos na
saúde física e intelectual de nossos filhos para que amanhã tenhamos uma
geração melhor. Pastor Flávio Neres

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