segunda-feira, 10 de julho de 2017

O CONSELHO DO SÁBIO SÓCRATES







Platão, no livro “A República,” já no final do livro II, narra o debate entre Sócrates (seu mestre) com Glauco e Adimanto. Ali são expostos os pensamentos do grande filósofo Sócrates instruindo de como se ter uma cidade forte ou, em outras palavras, o que se deveria fazer para o fortalecimento da sociedade.
Embora tenham se passados tantos séculos, os conselhos daquele que conhecia a fundo a alma humana, ainda continua mais atual que nunca.
Sócrates dizia: “como era costume entre os gregos, a educação deveria oferecer ginástica para o corpo e música para a alma. A educação começaria pela música, que inclui as outras formas literárias, como as fábulas e as poesias. Mas seria preciso separar na poesia o que é verdadeiro e formativo do que é falso e prejudicial à formação das crianças. De fato, mesmo os maiores poetas – como Hesíodo e Homero – fantasiam muitas coisas e dizem mentiras nos seus poemas, principalmente quanto ao comportamento dos deuses, atribuindo-lhes condutas indignas da sua condição divina, como o ciúme, a inveja, as conspirações, os mais variados crimes, além de inimizades e guerras entre eles. Mesmo que haja alguma verdade no que dizem os poetas, deve-se evitar narrar essas coisas ás crianças, por que elas ainda não são capazes de distinguir o que é alegórico do que não é. Na verdade, seria preciso propor novos padrões de composição para que os poetas narrem histórias orientadas para a virtude, uma vez que a primeira formação marca definitivamente a alma das crianças”.
Que conselho para a formação de um cidadão, cuidar do corpo e da alma! Infelizmente, a nossa sociedade atual não zela por nenhum dos dois, nem do corpo e muito menos da alma e por isso mesmo temos formado esta sociedade tão frágil e corrompida. Em especial, nossos jovens não exercitam mais o físico (corpo), pois estão presos ás tecnologias eletrônicas que não lhes permitem tempo para outra atividade qualquer.
Brincadeiras antigas que exigiam correr, pular, como o pega-pega, bandeira, esconde-esconde, amarelinha, entre outras, que eram a alegria da geração passada, estão praticamente abolidas nos dias atuais.
Mas, é verdade que também não temos tratado da alma de nossas crianças e jovens, não nos importamos mais com os bons livros, boas músicas ou uma programação em família, não mais filtramos como aconselhou Sócrates o que irá fazer mal á alma. Nossas crianças, desde a mais tenra infância, estão expostas a uma programação televisiva pobre de valores e, pior ainda, as redes sociais despejam todo tipo de lixo na alma de nossas crianças. Se Sócrates  preocupava-se que as crianças de sua época aprendessem condutas indignas como o ciúme, a inveja e a mentira, o que então não nos deve preocupar com os exemplos e condutas que são ensinados em nossos dias? Não é de se admirar que estamos formando uma geração de jovens sem perspectivas para o futuro, jovens sem objetivos na vida e imaturos. Estamos lançando sobre nossas crianças todo tipo de programação e ensino criados em mentes doentias, com uma programação onde se vê sexo a toda hora, drogas e guerras e onde as mortes são coisas normais. A mídia tem liberdade absoluta para criar uma programação deturpada, que diariamente entra em nossos lares entregando aos nossos filhos um produto pronto que é aceito sem nenhuma contestação. Como pais, nos esquecemos do conselho de Sócrates de que as crianças “não conseguem distinguir o que é alegórico do que não é”.
Temos confiado ao Estado, a Igreja e a mídia a formação de nossos filhos. Está na hora de como pais tomarmos a responsabilidade que é nossa e investirmos na saúde física e intelectual de nossos filhos para que amanhã tenhamos uma geração melhor.                      Pastor Flávio Neres

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