quarta-feira, 19 de julho de 2017

Karl Barth - Vida e Obra (Parte 01)



                                                                                             Pastor Flávio Neres



Artigo retirado do Livro "Barth e a pregação".


  Inegavelmente no século XX, Karl Barth foi o grande protagonista do cenário teológico quando rompeu com o liberalismo que vinha desde o final do século XVIII iniciado com Friedrich Schleiermacher. Este movimento teve continuação pelos próprios seguidores de Schleiermacher, sendo que estes tinham uma teologia mais antropocêntrica, que girava em torno dos valores humanos, ideias estas originadas e vindas do Iluminismo. Neste período tudo era submetido a um crivo da investigação racional, incluindo a Bíblia. Neste sentido a fé foi abandonada em detrimento a razão humana. Barth surge neste cenário, e ao oposto daquilo que a Teologia Liberal defendia, Barth através de suas obras mostra a necessidade da humanidade em conhecer a revelação de Deus em Jesus Cristo e através das escrituras.

 Vida

De acordo com Franklin Ferreira (2003, p.30): “Karl Barth nasceu em Basiléia, Suíça, no dia 10 de maio de 1886. Era filho de Fritz Barth, um ministro reformado e professor de Novo Testamento e História da Igreja na Universidade de Berna, na Suíça, e de Anna Sartorius”. É considerado um dos maiores pensadores protestantes do século XX, quando se fala em teologia contemporânea e se quer realmente desenvolver um estudo sério desta matéria, pode-se até se contrapor ao pensamento de Barth, mas, nunca e jamais negligencia-lo.
Pode-se até afirmar que a teologia contemporânea nasceu com o próprio Barth em 1919, que teve como marca principal o comentário da carta de Paulo aos romanos, que será visto neste trabalho posteriormente.

Ele recebeu sua educação inicial como membro da Igreja Reformada Suíça por seu pastor, Robert Aeschbacher” FERREIRA, (2003, p.30). Mas, “Suas principais influencias acadêmica ele recebeu de Adolf Von Harnack (1851 – 1930), Hermann Gunkel (1862 -1932), Adolf Schlatter (1862-1932) e Willherm Herrmann (1846 – 1922)”. FERREIRA (2003, p.31).

Em 1913 ele se casou com Nelly Hoffman, uma talentosa violonista, com a qual teve uma filha e quatro filhos. De acordo com FERREIRA, (2003, p.31) Tão logo concluiu seus estudos Barth foi ser pastor assistente em uma pequena igreja de Genebra, e só iniciou o seu pastorado em 1911 em uma pequena cidade no interior da Suíça de 2000 habitantes, chamada Safenwill, onde ficou até o ano de 1921. Foi nesta cidadezinha do interior que Barth conheceu a realidade rural e a disputa existente entre operários e patrões que acontecia na única fabrica da região de onde dependia toda a comunidade.

Afirma ainda FERREIRA (2003, p.31), foi assim que Barth começou a se envolver com conflitos e questões sociais, e tornou-se um socialista cristão sendo influenciado por Hermann Kutter (1869-1931) e Leonhard Ragaz (1868-1945). Envolveu-se ainda em atividades políticas e ajudou a fundar um sindicato, e chegou a filiar-se ao Partido Social Democrata em 1915, mas, seus ideais socialistas como também a sua fé liberal foram abalados ao se iniciar a primeira guerra mundial.

Neste período Barth estava tão envolvido com as causas sociais e politicas que a Teologia não era mais prioridade em sua vida, embora exercesse o pastorado.
[...] ele foi para o pastorado convencido de muitas das doutrinas da teologia liberal, mas logo chegou à conclusão de que havia outros assuntos que eram mais relevantes para seu trabalho do que a teologia. Embora durante os primeiros anos de seu pastorado ele continuasse suas leituras teológicas, ele declarou, posteriormente, que em Safenwil, ele se tomou tão envolvido no movimento Social Democrata que lia teologia somente quando era necessário para sua pregação e ensino, e passava a maior parte de seu tempo estudando legislação industrial, organização sindical e assuntos semelhantes. Ele estava convencido de que Deus estava trabalhando para trazer o reino, nem tanto por meio da igreja, que estava letárgica, quanto por meio da Democracia Social. Em 1915, ele se uniu oficialmente ao Partido Social Democrático. GONZÁLES (2004, p.439).


Começava aqui as primeiras trincas no muro de seus preceitos liberais os quais defendia até então, foi justamente neste inicio de seu pastorado em Safenwill, que sentiu de perto a necessidade de seu rebanho, e percebeu que toda a sua “bagagem” liberal e aquilo que tinha como verdade não supria esta necessidade, não satisfaziam os anseios daquela comunidade, houve em si uma  mudança interior iniciando assim o processo de ruptura com o liberalismo teológico que o havia formado. A esse respeito, comenta Battista Mondin:

Quando subiu ao púlpito, percebeu a inutilidade de todos os estudos histórico-críticos da vida de Cristo e do Evangelho. Aquilo que o povo lhe pedia era o anúncio da Palavra de Deus e não doutas dissertações sobre aquilo que pertencia à história e aquilo que pertencia à fé. Pedia-lhe, ademais, um anúncio correto, atual, que correspondesse aos problemas colocados pela industrialização, pela socialização, pela luta de classes, pela guerra. MONDIN (2003, p. 37).


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