Pastor Flávio Neres
Artigo retirado do Livro "Barth e a pregação".
Inegavelmente
no século XX, Karl Barth foi o grande protagonista do cenário teológico quando
rompeu com o liberalismo que vinha desde o final do século XVIII iniciado com
Friedrich Schleiermacher. Este movimento teve continuação pelos próprios seguidores
de Schleiermacher, sendo que estes tinham uma teologia mais antropocêntrica,
que girava em torno dos valores humanos, ideias estas originadas e vindas do
Iluminismo. Neste período tudo era submetido a um crivo da investigação racional,
incluindo a Bíblia. Neste sentido a fé foi abandonada em detrimento a razão
humana. Barth surge neste cenário, e ao oposto daquilo que a Teologia Liberal
defendia, Barth através de suas obras mostra a necessidade da humanidade em conhecer
a revelação de Deus em Jesus Cristo e através das escrituras.
Vida
De acordo com Franklin
Ferreira (2003, p.30): “Karl Barth nasceu em Basiléia, Suíça, no dia 10 de maio de
1886.
Era filho
de Fritz Barth, um ministro reformado e professor de Novo Testamento e História
da Igreja na Universidade de Berna, na Suíça, e de Anna Sartorius”. É
considerado um dos maiores pensadores protestantes do século XX, quando se fala
em teologia contemporânea e se quer realmente desenvolver um estudo sério desta
matéria, pode-se até se contrapor ao pensamento de Barth, mas, nunca e jamais negligencia-lo.
Pode-se até afirmar que a teologia contemporânea
nasceu com o próprio Barth em 1919, que teve como marca principal o comentário
da carta de Paulo aos romanos, que será visto neste trabalho posteriormente.
“Ele recebeu sua educação inicial como
membro da Igreja Reformada Suíça por seu pastor, Robert Aeschbacher” FERREIRA, (2003,
p.30). Mas, “Suas principais influencias acadêmica ele recebeu de Adolf Von
Harnack (1851 – 1930), Hermann Gunkel (1862 -1932), Adolf Schlatter (1862-1932)
e Willherm Herrmann (1846 – 1922)”. FERREIRA (2003, p.31).
Em 1913 ele se casou com
Nelly Hoffman, uma talentosa violonista, com a qual teve uma filha e quatro
filhos. De acordo com FERREIRA, (2003, p.31) Tão logo concluiu seus estudos
Barth foi ser pastor assistente em uma pequena igreja de Genebra, e só iniciou
o seu pastorado em 1911 em uma pequena cidade no interior da Suíça de 2000 habitantes,
chamada Safenwill, onde ficou até o ano de 1921. Foi nesta cidadezinha do
interior que Barth conheceu a realidade rural e a disputa existente entre operários
e patrões que acontecia na única fabrica da região de onde dependia toda a
comunidade.
Afirma ainda FERREIRA (2003,
p.31), foi assim que Barth começou a se envolver com conflitos e questões
sociais, e tornou-se um socialista cristão sendo influenciado por Hermann
Kutter (1869-1931) e Leonhard Ragaz (1868-1945). Envolveu-se ainda em atividades
políticas e ajudou a fundar um sindicato, e chegou a filiar-se ao Partido
Social Democrata em 1915, mas, seus ideais socialistas como também a sua fé
liberal foram abalados ao se iniciar a primeira guerra mundial.
Neste período Barth estava
tão envolvido com as causas sociais e politicas que a Teologia não era mais
prioridade em sua vida, embora exercesse o pastorado.
[...] ele foi para o
pastorado convencido de muitas das doutrinas da teologia liberal, mas logo
chegou à conclusão de que havia outros assuntos que eram mais relevantes para
seu trabalho do que a teologia. Embora durante os primeiros anos de seu
pastorado ele continuasse suas leituras teológicas, ele declarou,
posteriormente, que em Safenwil, ele se tomou tão envolvido no movimento Social
Democrata que lia teologia somente quando era necessário para sua pregação e
ensino, e passava a maior parte de seu tempo estudando legislação industrial,
organização sindical e assuntos semelhantes. Ele estava convencido de que Deus
estava trabalhando para trazer o reino, nem tanto por meio da igreja, que
estava letárgica, quanto por meio da Democracia Social. Em 1915, ele se uniu
oficialmente ao Partido Social Democrático. GONZÁLES (2004, p.439).
Começava
aqui as primeiras trincas no muro de seus preceitos liberais os quais defendia
até então, foi justamente neste inicio de seu pastorado em Safenwill, que
sentiu de perto a necessidade de seu rebanho, e percebeu que toda a sua
“bagagem” liberal e aquilo que tinha como verdade não supria esta necessidade,
não satisfaziam os anseios daquela comunidade, houve em si uma mudança interior iniciando assim o processo de
ruptura com o liberalismo teológico que o havia formado. A esse respeito,
comenta Battista Mondin:
Quando subiu ao púlpito, percebeu a inutilidade de todos os estudos histórico-críticos da vida de Cristo e do Evangelho. Aquilo que o povo lhe pedia era o anúncio da Palavra de Deus e não doutas dissertações sobre aquilo que pertencia à história e aquilo que pertencia à fé. Pedia-lhe, ademais, um anúncio correto, atual, que correspondesse aos problemas colocados pela industrialização, pela socialização, pela luta de classes, pela guerra. MONDIN (2003, p. 37).

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