Pastor Flávio Neres
Obras
Durante a sua vida Barth teve uma
produção literária vastíssima, de acordo com FRANKLIN FERREIRA, (2013, p. 250)
ele escreveu quase 500 livros, artigos e estudos sendo que sua obra mais famosa
foi a Dogmática eclesiástica (em alemão, Die
Kirchliche Dogmatik). Entre as suas obras podemos destacar: Der Romerbref (Comentário aos Romanos).
Com a publicação em 1919 desta obra Der Römerbref (um comentário
à carta de Paulo aos Romanos), Barth realiza um forte protesto a teologia
liberal e praticamente lança um desafio contra aquelas escolas que tinham
transformado a teologia em um exercício racional, onde prevaleceria sempre à
razão. Escolas estas que tinham transformando a religião em tão somente uma
prática moral.
Barth publicou a segunda edição da obra
poucos anos depois, mais precisamente em 1922, e este comentário é considerado
o início da nova escola que posteriormente se tornou conhecida por vários
outros nomes como a escola dialética, teologia da crise ou ainda Neo-ortodoxia.
Como fez ver na Carta aos Romanos, Barth pretendia substituir a interpretação
meramente cientifica e histórica com uma exposição “dialética” mais profunda da
própria Bíblia.
Esta obra foi o grande marco da ruptura
de Karl Barth com a teologia Liberal e seus antigos companheiros e mestres, mas,
também serviu como um despertamento para o mundo teológico de então, que estava
adormecido nos preceitos liberais, BATTISTA MONDIN (2003, p.39) assim descreveu
este impacto do comentário da carta aos Romanos como também o testemunho do
próprio Barth com relação à repercussão de sua obra.
Nele combate o
racionalismo, o humanismo e o liberalismo, que tinham invadido a teologia protestante
no século XIX, e traz novamente à luz a unicidade e o paradoxo da fé bíblica.
Contra a teologia liberal, que eliminara a infinita distância que separa o
homem de Deus e a razão da Revelação, Barth, inspirando-se em Kierkegaard,
reivindica a infinita diferença qualitativa “entre religião natural e
Revelação, entre filosofia e Bíblia”. Para dar relevo a tal diferença, utiliza
o método dialético do "não" de Deus a tudo aquilo a que o homem diz
que "sim”.
O Der Römerbref
suscitou interesse e viva reação em todos os ambientes teológicos da época, em
particular no protestantismo alemão. Mais tarde, Barth escreveria a propósito:
"Pareço mais um rapaz que, subindo ao campanário da igreja paroquial, puxa
uma corda ao acaso e, sem querer, coloca em movimento o sino maior: trêmulo e
amedrontado, percebe que acordou não apenas sua casa, mas também a aldeia
inteira”.
Neste mesmo sentido é que HÄGGLUND (2014,
p.315, grifo do autor) em seu olhar no comentário aos Romanos afirma a
importância desta obra de Barth:
[...] Barth formulou
vigoroso protesto não apenas contra a teologia contemporânea, mas contra toda a
tradição que se vinha formando desde Schleiermacher e que fundamentava o
cristianismo na experiência humana e considerava a fé um elemento na vida
espiritual do homem. Der Römerbrief foi
também um protesto contra aquelas escolas que tinham transformado a teologia em
ciência da religião e tinha apresentado a analise histórico-critica da Bíblia
como a única interpretação possível.
Grandes foram às consequências desta
obra no meio teológico da época, causando grandes e duros debates, trazendo
assim um grande despertar no mundo teológico de sua época, que até então estava
firmado sobre os preceitos liberais de apenas olhar a teologia como uma
abordagem histórica e critica da bíblia.
Die Kirchliche Dogmatik (Dogmática Eclesiástica).
Em 1927 Barth publicou o primeiro
volume de uma série chamada Dogmática Cristã. Diante das diversas criticas por
ter baseado esta obra na filosofia existencialista, fez com que ele voltasse
atrás e refizesse tudo o que ele havia feito, pois na realidade buscava uma
teologia mais Cristocêntrica, fugindo de toda influencia filosófica, desta
forma nasceu a Dogmática Eclesiástica. O
objetivo de Barth nesta nova versão fica claro, seu objetivo principal era
enfatizar a revelação de Deus, é assim que (FERREIRA, 2003, P.35) relata este
processo:
Em 1927 publicou o
primeiro de uma projetada série de volumes sobre Die Christliche Dogmatik (Dogmática Cristã), mas Barth foi
criticado por esta ser baseada na filosofia existencialista. Certamente, ele
não subordinou a revelação ao existencialismo na mesma medida que Bultmann, mas
desejava produzir uma teologia bíblica e livre da dependência de qualquer influencia
filosófica. Além disso, queria enfatizar a objetividade da revelação de Deus
mais do que a subjetividade da fé humana. Então ele decidiu começar novamente e
em 1932, iniciou a Die Kirchliche
Dogmatik, obra que não chegou a terminar.
Embora, não tenha sido concluída pelo
falecimento de seu autor, esta obra ficou como um grande legado para a teologia
do século XX, não só pelo tamanho, mas, pelo seu conteúdo. De acordo com
(FERREIRA, 2013, P. 250) assim retrata a divisão desta volumosa obra e seu
objetivo.
Essa obra é dividida
em quatro volumes principais, cada um subdividido em volumes parciais. Suas
ênfases foram: Deus é soberano e transcendente, o homem é pecador e precisa da
graça de Deus, e Cristo Jesus é a palavra de Deus ao homem – claramente se
opondo a teologia liberal, que era centrada no homem. Barth deu ênfase renovada
nas Escrituras como base da teologia, não de comunicar verdades proporcionais,
mas no sentido de provocar, por meio do Espirito Santo, um encontro entre Deus
e o homem.
“A Die
Kirchliche Dogmatik buscou ser a expressão da fé da igreja, e não de uma
escola teológica particular.” (FERREIRA, 2003, P. 37).
A “Proclamação do Evangelho”. Embora,
esta obra não tenha alcançado a mesma repercussão de outras obras, ela tem um
valor especial, pois, é a base para este trabalho, de onde serão extraídos os
ensinos da incursão que Barth faz na teologia prática com algumas regras e
sugestões através de sua visão bem dogmática nos apresentando o tema: “O sermão
e o modo de prepara-lo”.
Barth nesta obra busca discutir teologicamente
a grande importância da pregação na vida da igreja e nas expectativas da
comunidade. Aqui não é manual de homilética, mas trás boas sugestões inclusive
para nossos dias para o bom exercício da pregação.
O próprio Barth na introdução datada de
maio 1961 coloca como essenciais às sugestões apresentadas, diz ele: “Aqui,
trata-se antes de tudo de algumas normas e sugestões de ordem prática que me
parecem, todavia hoje, essenciais e dignas de serem meditadas, ou, ao menos,
lidas com alguma atenção e discutidas.” BARTH, (2000, P. 7)
É nesta obra que buscaremos mais
subsídios para fundamentar nosso estudo, aplicando as sugestões fornecidas por
Barth como contribuição aos pregadores neopentecostais da atualidade.

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