Pastor Flávio Neres
O Jesus histórico e sua
ressurreição têm sido debatidos ao longo dos séculos. Diversos historiadores têm
levantado os mais diversos argumentos para negar tal fato, mesmo teólogos como Rudolf Bultmann criaram
teorias que tentam explicar o milagre da ressureição.
Bultmann era de dentro do núcleo pensante da chamada teologia
liberal, mesmo tendo rompido com esta corrente teológica e juntando-se a um
novo grupo de teólogos neo-ortodoxos ou dialéticos, como Karl Barth, Emil Brunner e Paul Tillich,
Podemos dizer que ele continuou como um elemento à esquerda dentro deste
grupo.
Seu pensamento com relação à ressureição de Jesus é de que,
embora fosse legitimo e inteligível no contexto do século I, não podia ser
levado a sério nos dias atuais. Ele cria que a ressureição de Jesus não passava
de um mito, e que a ressureição de Jesus se passara na experiência subjetiva
dos discípulos, e não algo que acontecera verdadeiramente na história. Para Bultmann, Jesus
havia de fato ressuscitado, no entanto, no âmbito do querigma (mensagem).
Ele dizia: “A
Verdadeira fé pascal é a fé na palavra da pregação que ilumina. Se o evento do
dia da Páscoa é, em algum sentido, um evento histórico adicional ao evento da
cruz, ele não passa do surgimento da fé no Senhor ressurreto, uma vez que foi
esta fé que levou à pregação apostólica. A ressurreição em si não é um fato
histórico. Tudo o que a crítica histórica pode estabelecer é que os primeiros
discípulos vieram a crer na ressurreição”.
Embora
muitos historiadores e até mesmo teólogos como Bultmann não conseguem
compreender nem explicar satisfatoriamente a ressurreição de Jesus, no entanto
há alguns fatos históricos que comprovam a ressurreição de Jesus.
Desde
o princípio, logo após os primeiros comentários da ressurreição de Jesus, que as
autoridades religiosas e seculares buscaram acabar com a “nova seita” de
Cristãos que pregavam essa mensagem da ressurreição. O melhor que eles puderam
inventar foi tornar público o boato de que os discípulos haviam roubado o corpo
de Jesus e o enterrado secretamente. Era esta a reação dos Judeus no Capitulo
28 de Mateus ao ouvirem os discípulos anunciando a ressurreição de Jesus. Não
negavam este fato, mas acusaram os discípulos de terem roubado o corpo de
Jesus. A reação dos Judeus farisaicos era por si só uma tentativa de explicar
porque o corpo de Jesus não estava ali.
As
autoridades Judaicas enredaram-se nesta série desesperada de absurdos tentando
explicar o tumulo vazio. Isto é fantástico porque não vem dos primeiros
Cristãos, mas de seus inimigos, eles mesmos atestam o fato de que o corpo havia
desaparecido.
Mas,
devemos lembrar o fato de que todos os discípulos estavam acovardados e
escondidos, todos haviam fugido e quem naquele momento teria tamanha audácia e
se atreveria a quebrar o selo romano e violar o tumulo arriscando-se a uma
sentença de morte? E por que os discípulos não foram presos pelo crime que
supostamente haviam cometido? E os soldados que vigiavam o corpo? Nem sequer
foram disciplinados, para uma falha que para os padrões da época os levariam a
uma pena de morte? Isso tudo é de se estranhar muito. A única coisa que os
líderes religiosos e seculares puderam comprovar com todo esse ocorrido e suas
ações é o fato de que realmente havia um túmulo vazio.
Mas, o
primeiro fato histórico que verdadeiramente comprova a ressurreição de Jesus é o
fato desse túmulo que agora estava vazio ter sido doado por José de Arimatéia.
Jesus foi sepultado por um membro do odiado sinédrio. Foi um enterro sério, de
alguém que não participava pelo menos diretamente da “nova seita”, todos os
seus discípulos abandonaram Jesus e fugiram, e também não foi enterrado por
seus familiares. Não poderia ter havido uma orquestração, um planejamento para
roubar o corpo de Jesus e relatar uma falsa ressurreição, até mesmo porque os
discípulos não estavam com capacidade psicológica de “inventar” tal estória.
Todos fugiram quando viram Jesus preso e posteriormente morto de acordo com o
texto de (Mt 26:31). A própria atitude dos
discípulos comprova que eles ficaram desorientados após a morte do mestre:
Pedro renegou o Senhor (Mt 26:33-35) e Tomé duvidou de tal acontecimento (Jo
20:24-29). Devemos levar em conta também que deveria ser muito difícil se criar
tal estória para eles já que o conceito de um Deus morto e ressuscitado na carne
humana era totalmente alheio à mentalidade dos judeus, e se narraram este
ocorrido é porque verdadeiramente houve o acontecimento.
Outro fato histórico é o fato de que foram as mulheres as
primeiras a encontrarem o tumulo vazio. O testemunho das mulheres naquela época
era sem crédito. O historiador Flávio Josefo afirma que o testemunho de uma
mulher deveria ter que ser admitido em tribunal por causa da leviandade e
impetuosidade do sexo. Pelo fato dos judeus darem esse crédito ás mulheres e
registrarem este acontecimento, mesmo que sendo constrangedor para eles é
porque realmente as mulheres foram as primeiras a encontrarem o túmulo vázio.
Podemos ver ainda a comprovação da ressurreição de Jesus pelo
fato de vários grupos e em vários cantos testemunharem o aparecimento de Jesus
ressuscitado. Paulo forneceu uma lista destas pessoas em (1Co 15: 1-8): “Faço-vos conhecer, irmãos, o Evangelho que
vos preguei, o mesmo que vós recebestes e no qual permaneceis firmes. Por ele
também sereis salvos, se o conservardes tal como vô-lo preguei… a menos que não
tenha fundamento a vossa fé.
Transmiti-vos, antes de tudo, aquilo que eu mesmo recebi, a
saber, que Cristo morreu por nossos pecados, conforme as Escrituras, e que foi
sepultado e que ressuscitou ao terceiro dia conforme as Escrituras e que
apareceu a Cefas, depois aos doze.
Posteriormente, apareceu de uma vez a mais de quinhentos
irmãos, dos quais a maior parte vive até hoje, alguns, porém, já morreram.
Depois apareceu a Tiago e, em seguida, a todos os Apóstolos. Por fim, depois de
todos, apareceu também a mim, como a um abortivo”.
Paulo afirmou que muitos ainda estão vivos. Paulo está
dizendo, com efeito: são testemunhas que podem ser questionadas. Elas ainda
estavam por lá e poderiam falar sobre o que tinham visto. ” Todos os fatos
poderiam ser facilmente comprovados, não era mentira, a verdade estava acessível a todos. Uma testemunha que faz
toda a diferença é Tiago, o irmão de Jesus, porque a Bíblia mostra que nenhum
dos irmãos de Jesus creram nele, não creram que Ele era profeta. Veja o que diz
o texto de (João
7:1-5): “E depois disto Jesus andava pela Galiléia, e já não queria andar pela
Judéia, pois os judeus procuravam matá-lo. E estava próxima a festa dos judeus, a
dos tabernáculos. Disseram-lhe, pois, seus irmãos: Sai daqui, e vai para a
Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. Porque não há ninguém que procure ser conhecido que
faça coisa alguma em oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo.
Porque nem mesmo seus irmãos criam nele.” Portanto, nem Tiago nem seus irmãos creram em Jesus.
De repente, Tiago emerge como um dos líderes da Igreja de Jerusalém e foi
martirizado em 60 dc. O que poderia ter causado essa mudança em Tiago? Que o
fez deixar de ser um incrédulo para morrer pela causa de seu irmão mais velho?
“Depois foi visto
por Tiago, depois por todos os apóstolos. ” (1 Co
15:7). Somente esse fator do encontro de Tiago com Jesus ressuscitado pode ter
mudado radicalmente sua fé e vida. Não só Tiago, mas seus outros irmãos passaram
também a crer em Jesus após sua morte e ressurreição. “Todos estes
perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de
Jesus, e com seus irmãos”. (Atos 1:14).
Outro
fator histórico que comprova a ressureição de Jesus é o fato dos discípulos que
haviam se escondido covardemente adotarem uma nova postura após o encontro com
Jesus ressuscitado que é narrado por Lucas em (Lc 24:36-37). Eles agora
propagam com destemor a mensagem da ressureição, colocam suas vidas em risco em
favor desta mensagem. Na primeira mensagem de Pedro ele narra o ocorrido: “A este que
vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes,
crucificastes e matastes pelas mãos de injustos; ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era
possível que fosse retido por ela.” (Atos 2:23,24).
Lembrando que o túmulo cedido por José de Arimatea estava em Jerusalém e por esse motivo os discípulos jamais poderiam ter
anunciado a sua ressurreição em Jerusalém se o túmulo não estivesse
vazio.
No Capítulo 4 do livro de Atos continuamos vendo a intrepidez
dos discípulos que continuaram pregando a mensagem da ressurreição, mesmo em
meios aos acusadores fariseus : “Seja
conhecido de vós todos, e de todo o povo de Israel, que em nome de Jesus
Cristo, o Nazareno, aquele a quem vós crucificastes e a quem Deus ressuscitou
dentre os mortos, em nome desse é que este está são diante de vós. (Atos 4:10). Também diante do Sinédrio não
negaram a Jesus: “Porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido.” (At
4:20) entre muitos outros textos. Somente algo de extraordinário como
a ressurreição de Jesus poderia ter mudado a vida destes homens que
anteriormente estavam acuados e agora andavam totalmente destemidos propagando
a mensagem da ressurreição.
Quer queiram ou não, os que são contrários a ressurreição de Jesus,
esses fatos só podem ser explicados pelo olhar da ressurreição, somente algo
sobrenatural poderia ter mudado a vida daqueles discípulos e isso se tornou o
propósito da primeira comunidade cristã que foi dar testemunho da ressurreição
de Jesus Cristo. Eles não foram para uma outra comunidade para anunciar tais
fatos. Pelo contrário, ele ficara na própria cidade de Jerusalém onde afirmavam
terem acontecido a ressurreição.
E quando eles confrontaram o público, não foi o ensinamento ético
de Cristo que eles pregaram primariamente, mas, foi a ressurreição de Cristo e
todas as suas gloriosas implicações. O cristianismo tornou-se assim a única
religião em que seu líder venceu a morte. Todas as outras religiões seus
fundadores permaneceram no túmulo, mas, no Cristianismo o túmulo de Jesus está
vazio, trazendo esperança a todos os seus seguidores, pois ele venceu a morte e
garante esta vida eterna a todos os que o seguirem.
REFERÊNCIAS
David Gooding, John Lennox. A Definição do
Cristianismo. Porto Alegre, 2014.
Hunt, Dave.
Quanto tempo nos resta? Porto
Alegre, 1996
José Geraldo O
Vidigal de Carvalho. http://cleofas.com.br/fato-historico-da-ressurreicao-de-jesus/
http://www.raciociniocristao.com.br/2016/05/ressurreicao-de-jesus-fato-ou-mito/

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