quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

DEUS ENTRE NÓS







                                                                                                                     Pr. Flávio Neres

"E o verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do pai, cheio de graça e de verdade." (Jo 1:14)
Dos grandes eventos que a ser humano já presenciou, poderíamos citar diversos que mexeram com todo o mundo. É  o caso da chegada do homem à lua, ou a descoberta de diversas vacinas que beneficiam a humanidade, como a que combate a paralisia infantil por exemplo.  Quanto a invenção do avião e a do computador então nem se fala. Mas, nenhum desses eventos pode jamais ser comparado com a presença do verbo de Deus entre nós. Deus se fez carne. Veio em um corpo humano e habitou entre nós, para revelar o seu amor pela humanidade.
“Ali estava à luz verdadeira, que alumia a todo o homem que vem ao mundo (Jo 1:9)”. Essa luz continua acessa a alumiar todos os homens. Não importa a condição desta pessoa. Se é marginal, prostituta ou drogado. O que importa verdadeiramente é que possamos reconhecer  seu grande feito. E assim passemos do reino das trevas para o reino da luz.
"Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; aos que crêem no seu nome" (Jo 1:12).
Devemos recebê-lo e aceitar  sua luz em nossas vidas, passando de criaturas de Deus para filhos de Deus. É tomar a decisão que agrada a Deus. deixar de viver em trevas e passar a viver guiado pela maravilhosa luz de Jesus.
Quando se é filho de Deus, passa a ser herdeiro também de tudo que está preparada pelo pai. Não despreze este grande feito. Deus deixou o seu trono de glória, se fez homem, sofreu e morreu por nós, demonstrando assim todo seu amor pela humanidade. Deus fez a parte mais difícil, a parte mais fácil ficou conosco, reconhecer e aceitar seu grande sacrifício e reconhecer Jesus como nosso salvador.

AS COTAS E O MÉRITO






                                                                                                              Pr. Flávio Neres



Em um debate recente no Programa “Roda Viva” da TV Cultura ocorrido no dia 30 de julho de 2018, com o candidato a presidência Jair Bolsonaro, ele foi muito criticado por não concordar com o programa de cotas nas universidades públicas. Bolsonaro afirmou não ver justiça nas cotas, por entender que a ascensão às universidades e nos cargos públicos devem ocorrer  por mérito. Muitos dos jornalistas que estiveram na bancada daquele programa, alegaram enfaticamente a dívida histórica do Brasil com a população negra.
Realmente no início deste programa havia um desejo de recompensar socialmente a raça  negra pelas injustiças passadas bem como os menos favorecidos socialmente de nossa sociedade como as pessoas de baixa renda e os deficientes físicos. No entanto,  constantemente vemos um novo grupo pedindo direito a cotas, tais como os índios, e  por último os homossexuais que agora querem também esse benefício.
Se partirmos para este raciocínio de resgatar dividas sociais com algumas raças ou grupos, que no passado sofreram alguma perseguição ou injustiça social, com certeza vai faltar vagas e cotas nas universidades. Neste caso concordo com o pensamento do Sr. Jair Bolsonaro.
Vejamos por esta ótica alguns grupos que o Brasil tem uma enorme dívida histórica: os nordestinos por exemplo, que por muito tempo foram explorados como mão de obra, tanto nos canteiros de construção no Sudeste, bem como nas lavouras do Sul. Sem falar  da construção de Brasília que foi feita praticamente somente por nordestinos. Também foram os nordestinos enviado para a selva amazônica como “soldados da borracha” com o intuito de alavancar a indústria com a produção de borracha. Muitos morreram sem jamais rever seus familiares. E ai, diante da exploração desta raça no passado vamos dar cotas para todos os nordestinos?
E que tal nos lembrarmos não de uma raça, mas, de um grupo que foi constantemente perseguido pelo preconceito, e ainda é, em algumas regiões, que é o povo evangélico? Assim como os homossexuais que alegam perseguição e preconceito, os evangélicos podem alegar o mesmo. Será que o Brasil tem alguma dívida histórica com os diversos evangélicos que deixaram de estudar pelo fato do Brasil no passado ter o Catolicismo como religião oficial, e devido a isso se discriminava aqueles que escolhiam uma outra fé? É importante lembrar os que se identificavam como  evangélicos perdiam alguns direitos na sociedade. O que dizer das piadinhas de das zombarias que ainda hoje acontece pelo simples fato de uma pessoa se identificar como evangélico? E o que dizer das igrejas que foram apedrejadas? E de alguns Evangélicos que até chegaram a ser mortos pela sua fé, principalmente no Nordeste?
Creio que o passado deve permanecer no passado, não podemos pagar o preço hoje por falhas de uma sociedade no passado. Creio que a política de cotas deva existir sim. Mas, para aqueles que tenha comprovadamente uma condição social vulnerável na sociedade atual. É o caso dos deficientes físicos ou aqueles que vivem na condição de pobreza extrema. Creio que dar cotas com vista a fatos ocorridos no passado provocarão mais injustiças do que promover a justiça tão esperada.

A VALORIZAÇÃO DO IDOSO EM NOSSA SOCIEDADE



Diferentemente daquilo que ocorre nos países orientais, o Brasil tem desprezado um tesouro preciosíssimo, que é formado pelo conhecimento e experiência da pessoa idosa. No Japão, por exemplo, os idosos são tratados com respeito e atenção, e valorizados pela vasta experiência acumulada ao longo da vida. Lá os jovens se orgulham de seus idosos, tão grande é o respeito por essas pessoas que nenhuma decisão seria é tomada sem antes ouvir uma pessoa mais idosa. Enfim, o idoso é um patrimônio para aquela cultura.

Ao atingir a fase idosa os seres humanos adquirem o amadurecimento da vida, e passam a distinguir claramente os caminhos que conduzem ao bem ou ao mal. Se percebe, por sua experiência, as estradas floridas como também as estradas pedregosas. Também é nesta fase em que há um amadurecimento espiritual, onde se busca uma experiência maior com o transcendente, gerando e fortalecendo a fé.

Quantos problemas seriam evitados se hoje buscássemos na sabedoria dos mais velhos, se os mais jovens buscassem neles conselhos e direção para as suas vidas. Como isso não tem ocorrido, eis aí uma das causas para a catástrofe que temos presenciado hoje em meio aos nossos jovens. Jovens que em sua grande maioria andam sem objetivos, sem direção e sem perspectivas e, por isso, muitos em busca de uma afirmação, correm para a triste ilusão das drogas.

 

Devemos urgentemente mudar nossos conceitos, necessitamos fazer uma revolução rapidamente e começar a beber dessas fontes. Precisamos explorar esses tesouros que hoje são desprezados. Precisamos valorizar a cada dia mais os nossos idosos. São riquezas que estão sendo desperdiçadas em nosso Brasil.

 Flávio Neres

RAÍZES DA VIOLÊNCIA JUVENIL EM FORTALEZA





            A criminalidade alarmante em nossos dias tem elevado a nossa capital ao primeiro lugar na morte de jovens e adolescentes, segundo as últimas estatísticas anunciadas no final de junho pelo relatório de Violência Letal Contra as Crianças e Adolescentes do Brasil, elaborado pelo sociólogo e coordenador do Mapa da Violência, Julio Jacobo Waiselfisz.

           Cotidianamente, temos ouvido notícias de que esta onda de criminalidades deve-se ao crime organizado que se instalou em nosso estado. Alguns apontam as razões de tanta criminalidade: à ineficiência da polícia, e outros da incompetência da justiça que desfaz o serviço da polícia soltando aqueles que deveriam estar por trás das grades.

          Mas, a verdade é que temos olhado somente para o final do processo, não olhamos para toda a cadeia em que se forma um marginal. queremos resolver somente o produto já está acabado. Pronto.

           No entanto, o processo é muito mais complicado, e se queremos diminuir os índices de criminalidade temos que olhar para toda a cadeia que se inicia com a família. A família em nossos dias, está desestruturada. Os valores estão invertidos. A base está fragilizada, e não podemos construir um prédio sólido sem alicerces apropriados.

         Quais os valores que estão sendo injetados no início da cadeia (que são nossas crianças)? Amor? Formação intelectual e cultural? Qual a perspectiva de vida que temos oferecido aos nossos jovens? Qual formação religiosa temos oferecido? Afinal de contas se não tratarmos a alma nada estaremos fazendo, pois o exterior reflete aquilo que está no interior, na alma do ser humano.

      Se não atentarmos para reverter este processo errôneo de formação de nossos jovens, e continuarmos excluindo estes valores essenciais em sua formação, o certo é que continuaremos produzindo marginais, e nada será mudado, cabendo muito bem aqui à velha comparação, que continuaremos “enxugando gelo”.







A FILOSOFIA DO SEU EDSON



                                                                                                               

Quando chegamos à pequena cidade de Palmácia era sábado, véspera do feriado de sete de setembro, comemoração da independência do Brasil. Estava de passagem indo a Guaramiranga, outra cidade serrana, tive que me deter por algum tempo em Palmácia, já que estava sendo realizado o tradicional e cívico desfile de sete de setembro, e a principal avenida, por onde iríamos passar, estava interditada devido ao desfile. Como estávamos a passeio e sem pressa, eu e minha esposa Rosinha decidimos esperar o desfile terminar. Procuramos a sombra de uma frondosa árvore em uma praça e ficamos a ver o desfile.

Foi quando um senhor muito simpático e acolhedor, como geralmente são os homens interioranos, chamado Edson, chegou próximo a nós e começou a puxar assunto, entre o desfile de uma e outra escola. Os assuntos foram se diversificando, desde a sua passagem como músico pela banda municipal até sua aprovação para os quadros de funcionário público da cidade de Palmácia.

Sempre fui um observador da natureza humana, e quando estou em ambientes assim, em pequenas cidades, no interior, gosto deste contato pessoal, e minha curiosidade é despertada ainda mais, pois na simplicidade do homem interiorano, conseguimos tirar lições importantíssimas. O homem do interior tem uma visão diferenciada da vida, que muitas vezes nós cidadãos urbanos não conseguimos captar.

Numa determinada hora de nossa conversa, chegamos ao assunto “politica”, o que incluiu os diversos desmandos, obras inacabadas, absurdos praticados por algumas gestões, e a desvalorização dos funcionários públicos. Em meio à sua indignação seu Edson soltou uma pérola, que eu chamei de a autêntica filosofia de seu Edson. Disse ele: “Eu comparo os políticos corruptos a um filho viciado em crack, onde a mãe é o Estado, ele rouba tudo o que vê pela frente. A mãe sofre muito, mas, ele não tem piedade nem misericórdia da mãe, tudo o que está à sua frente ele rouba para sustentar seu vício”. Eu fiquei refletindo sobre esta filosofia, de alguém simples do povo, de alguém formado não em curso superior, mas na escola da vida. Nestas épocas de “mensalões e petrolões” e tantos outros desvios por parte de alguns políticos, vale a pena fazer uma reflexão, e reconhecer que o seu Edson está certo, a mãe Estado sofre muito com estes filhos que lhe roubam tudo.