Pr. Flávio Neres
quarta-feira, 19 de dezembro de 2018
DEUS ENTRE NÓS
Pr. Flávio Neres
AS COTAS E O MÉRITO
Pr. Flávio Neres
A VALORIZAÇÃO DO IDOSO EM NOSSA SOCIEDADE
Diferentemente
daquilo que ocorre nos países orientais, o Brasil tem desprezado um tesouro
preciosíssimo, que é formado pelo conhecimento e experiência da pessoa idosa.
No Japão, por exemplo, os idosos são tratados com respeito e atenção, e
valorizados pela vasta experiência acumulada ao longo da vida. Lá os jovens se
orgulham de seus idosos, tão grande é o respeito por essas pessoas que nenhuma
decisão seria é tomada sem antes ouvir uma pessoa mais idosa. Enfim, o idoso é
um patrimônio para aquela cultura.
Ao
atingir a fase idosa os seres humanos adquirem o amadurecimento da vida, e
passam a distinguir claramente os caminhos que conduzem ao bem ou ao mal. Se
percebe, por sua experiência, as estradas floridas como também as estradas
pedregosas. Também é nesta fase em que há um amadurecimento espiritual, onde se
busca uma experiência maior com o transcendente, gerando e fortalecendo a fé.
Quantos
problemas seriam evitados se hoje buscássemos na sabedoria dos mais velhos, se
os mais jovens buscassem neles conselhos e direção para as suas vidas. Como
isso não tem ocorrido, eis aí uma das causas para a catástrofe que temos
presenciado hoje em meio aos nossos jovens. Jovens que em sua grande maioria
andam sem objetivos, sem direção e sem perspectivas e, por isso, muitos em
busca de uma afirmação, correm para a triste ilusão das drogas.
Devemos
urgentemente mudar nossos conceitos, necessitamos fazer uma revolução
rapidamente e começar a beber dessas fontes. Precisamos explorar esses tesouros
que hoje são desprezados. Precisamos valorizar a cada dia mais os nossos
idosos. São riquezas que estão sendo desperdiçadas em nosso Brasil.
Flávio Neres
RAÍZES DA VIOLÊNCIA JUVENIL EM FORTALEZA
Cotidianamente, temos ouvido
notícias de que esta onda de criminalidades deve-se ao crime organizado que se
instalou em nosso estado. Alguns apontam as razões de tanta criminalidade: à
ineficiência da polícia, e outros da incompetência da justiça que desfaz o
serviço da polícia soltando aqueles que deveriam estar por trás das grades.
Mas, a verdade é que temos olhado
somente para o final do processo, não olhamos para toda a cadeia em que se
forma um marginal. queremos resolver somente o produto já está acabado. Pronto.
No entanto, o processo é muito mais
complicado, e se queremos diminuir os índices de criminalidade temos que olhar
para toda a cadeia que se inicia com a família. A família em nossos dias, está
desestruturada. Os valores estão invertidos. A base está fragilizada, e não
podemos construir um prédio sólido sem alicerces apropriados.
Quais os valores que estão sendo
injetados no início da cadeia (que são nossas crianças)? Amor? Formação
intelectual e cultural? Qual a perspectiva de vida que temos oferecido aos
nossos jovens? Qual formação religiosa temos oferecido? Afinal de contas se não
tratarmos a alma nada estaremos fazendo, pois o exterior reflete aquilo que
está no interior, na alma do ser humano.
Se não atentarmos para reverter este
processo errôneo de formação de nossos jovens, e continuarmos excluindo estes
valores essenciais em sua formação, o certo é que continuaremos produzindo
marginais, e nada será mudado, cabendo muito bem aqui à velha comparação, que
continuaremos “enxugando gelo”.
A FILOSOFIA DO SEU EDSON
Quando chegamos à pequena cidade de Palmácia era
sábado, véspera do feriado de sete de setembro, comemoração da independência do
Brasil. Estava de passagem indo a Guaramiranga, outra cidade serrana, tive que
me deter por algum tempo em Palmácia, já que estava sendo realizado o
tradicional e cívico desfile de sete de setembro, e a principal avenida, por
onde iríamos passar, estava interditada devido ao desfile. Como estávamos a
passeio e sem pressa, eu e minha esposa Rosinha decidimos esperar o desfile terminar.
Procuramos a sombra de uma frondosa árvore em uma praça e ficamos a ver o
desfile.
Foi quando um senhor muito simpático e acolhedor,
como geralmente são os homens interioranos, chamado Edson, chegou próximo a nós
e começou a puxar assunto, entre o desfile de uma e outra escola. Os assuntos
foram se diversificando, desde a sua passagem como músico pela banda municipal
até sua aprovação para os quadros de funcionário público da cidade de Palmácia.
Sempre fui um observador da natureza humana, e
quando estou em ambientes assim, em pequenas cidades, no interior, gosto deste
contato pessoal, e minha curiosidade é despertada ainda mais, pois na
simplicidade do homem interiorano, conseguimos tirar lições importantíssimas. O
homem do interior tem uma visão diferenciada da vida, que muitas vezes nós
cidadãos urbanos não conseguimos captar.
Numa determinada hora de nossa conversa, chegamos
ao assunto “politica”, o que incluiu os diversos desmandos, obras inacabadas,
absurdos praticados por algumas gestões, e a desvalorização dos funcionários
públicos. Em meio à sua indignação seu Edson soltou uma pérola, que eu chamei
de a autêntica filosofia de seu Edson. Disse ele: “Eu comparo os políticos
corruptos a um filho viciado em crack, onde a mãe é o Estado, ele rouba tudo o
que vê pela frente. A mãe sofre muito, mas, ele não tem piedade nem misericórdia
da mãe, tudo o que está à sua frente ele rouba para sustentar seu vício”. Eu
fiquei refletindo sobre esta filosofia, de alguém simples do povo, de alguém
formado não em curso superior, mas na escola da vida. Nestas épocas de
“mensalões e petrolões” e tantos outros desvios por parte de alguns políticos,
vale a pena fazer uma reflexão, e reconhecer que o seu Edson está certo, a mãe
Estado sofre muito com estes filhos que lhe roubam tudo.




