quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

AS COTAS E O MÉRITO






                                                                                                              Pr. Flávio Neres



Em um debate recente no Programa “Roda Viva” da TV Cultura ocorrido no dia 30 de julho de 2018, com o candidato a presidência Jair Bolsonaro, ele foi muito criticado por não concordar com o programa de cotas nas universidades públicas. Bolsonaro afirmou não ver justiça nas cotas, por entender que a ascensão às universidades e nos cargos públicos devem ocorrer  por mérito. Muitos dos jornalistas que estiveram na bancada daquele programa, alegaram enfaticamente a dívida histórica do Brasil com a população negra.
Realmente no início deste programa havia um desejo de recompensar socialmente a raça  negra pelas injustiças passadas bem como os menos favorecidos socialmente de nossa sociedade como as pessoas de baixa renda e os deficientes físicos. No entanto,  constantemente vemos um novo grupo pedindo direito a cotas, tais como os índios, e  por último os homossexuais que agora querem também esse benefício.
Se partirmos para este raciocínio de resgatar dividas sociais com algumas raças ou grupos, que no passado sofreram alguma perseguição ou injustiça social, com certeza vai faltar vagas e cotas nas universidades. Neste caso concordo com o pensamento do Sr. Jair Bolsonaro.
Vejamos por esta ótica alguns grupos que o Brasil tem uma enorme dívida histórica: os nordestinos por exemplo, que por muito tempo foram explorados como mão de obra, tanto nos canteiros de construção no Sudeste, bem como nas lavouras do Sul. Sem falar  da construção de Brasília que foi feita praticamente somente por nordestinos. Também foram os nordestinos enviado para a selva amazônica como “soldados da borracha” com o intuito de alavancar a indústria com a produção de borracha. Muitos morreram sem jamais rever seus familiares. E ai, diante da exploração desta raça no passado vamos dar cotas para todos os nordestinos?
E que tal nos lembrarmos não de uma raça, mas, de um grupo que foi constantemente perseguido pelo preconceito, e ainda é, em algumas regiões, que é o povo evangélico? Assim como os homossexuais que alegam perseguição e preconceito, os evangélicos podem alegar o mesmo. Será que o Brasil tem alguma dívida histórica com os diversos evangélicos que deixaram de estudar pelo fato do Brasil no passado ter o Catolicismo como religião oficial, e devido a isso se discriminava aqueles que escolhiam uma outra fé? É importante lembrar os que se identificavam como  evangélicos perdiam alguns direitos na sociedade. O que dizer das piadinhas de das zombarias que ainda hoje acontece pelo simples fato de uma pessoa se identificar como evangélico? E o que dizer das igrejas que foram apedrejadas? E de alguns Evangélicos que até chegaram a ser mortos pela sua fé, principalmente no Nordeste?
Creio que o passado deve permanecer no passado, não podemos pagar o preço hoje por falhas de uma sociedade no passado. Creio que a política de cotas deva existir sim. Mas, para aqueles que tenha comprovadamente uma condição social vulnerável na sociedade atual. É o caso dos deficientes físicos ou aqueles que vivem na condição de pobreza extrema. Creio que dar cotas com vista a fatos ocorridos no passado provocarão mais injustiças do que promover a justiça tão esperada.

Nenhum comentário:

Postar um comentário