Pr. Flávio Neres
Em um debate recente no
Programa “Roda Viva” da TV Cultura ocorrido no dia 30 de julho de 2018, com o
candidato a presidência Jair Bolsonaro, ele foi muito criticado por não
concordar com o programa de cotas nas universidades públicas. Bolsonaro afirmou
não ver justiça nas cotas, por entender que a ascensão às universidades e nos
cargos públicos devem ocorrer por
mérito. Muitos dos jornalistas que estiveram na bancada daquele programa,
alegaram enfaticamente a dívida histórica do Brasil com a população negra.
Realmente no início deste
programa havia um desejo de recompensar socialmente a raça negra pelas injustiças passadas bem como os
menos favorecidos socialmente de nossa sociedade como as pessoas de baixa renda
e os deficientes físicos. No entanto,
constantemente vemos um novo grupo pedindo direito a cotas, tais como os
índios, e por último os homossexuais que
agora querem também esse benefício.
Se partirmos para este
raciocínio de resgatar dividas sociais com algumas raças ou grupos, que no
passado sofreram alguma perseguição ou injustiça social, com certeza vai faltar
vagas e cotas nas universidades. Neste caso concordo com o pensamento do Sr.
Jair Bolsonaro.
Vejamos por esta ótica alguns
grupos que o Brasil tem uma enorme dívida histórica: os nordestinos por
exemplo, que por muito tempo foram explorados como mão de obra, tanto nos
canteiros de construção no Sudeste, bem como nas lavouras do Sul. Sem
falar da construção de Brasília que foi
feita praticamente somente por nordestinos. Também foram os nordestinos enviado
para a selva amazônica como “soldados da borracha” com o intuito de alavancar a
indústria com a produção de borracha. Muitos morreram sem jamais rever seus
familiares. E ai, diante da exploração desta raça no passado vamos dar cotas
para todos os nordestinos?
E que tal nos lembrarmos não
de uma raça, mas, de um grupo que foi constantemente perseguido pelo
preconceito, e ainda é, em algumas regiões, que é o povo evangélico? Assim como
os homossexuais que alegam perseguição e preconceito, os evangélicos podem
alegar o mesmo. Será que o Brasil tem alguma dívida histórica com os diversos
evangélicos que deixaram de estudar pelo fato do Brasil no passado ter o
Catolicismo como religião oficial, e devido a isso se discriminava aqueles que
escolhiam uma outra fé? É importante lembrar os que se identificavam como evangélicos perdiam alguns direitos na
sociedade. O que dizer das piadinhas de das zombarias que ainda hoje acontece
pelo simples fato de uma pessoa se identificar como evangélico? E o que dizer
das igrejas que foram apedrejadas? E de alguns Evangélicos que até chegaram a
ser mortos pela sua fé, principalmente no Nordeste?
Creio que o passado deve
permanecer no passado, não podemos pagar o preço hoje por falhas de uma
sociedade no passado. Creio que a política de cotas deva existir sim. Mas, para
aqueles que tenha comprovadamente uma condição social vulnerável na sociedade
atual. É o caso dos deficientes físicos ou aqueles que vivem na condição de
pobreza extrema. Creio que dar cotas com vista a fatos ocorridos no passado
provocarão mais injustiças do que promover a justiça tão esperada.

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