Pastor Flávio Neres
O artigo 205 da Constituição do Brasil expressa que a
educação é direito de todos e dever do Estado e da família, apesar de que houve
uma inversão na ordem, já que a educação vem em primeiro lugar da família e
depois do Estado como um complemento, e isso, respeitando logicamente as
individualidades. Hoje há uma preocupação nas famílias cristãs com a
intervenção direta do Estado nos valores familiares, se vê claramente essa
influência com a introdução do tema “ideologia de gênero” nas escolas.
É um debate que não podemos desprezar, já que o
grande questionamento é: até onde o Estado pode intervir na educação moral e
cultural de cada família? Quais os limites do Estado diante da liberdade
individual?
Quando falamos em ideologia geralmente temos em
mente como significado que se trata de um conjunto de ideias, já alguns autores
aprofundam mais esta compreensão, pois crêem que a ideologia é a racionalização
que estabelece verdades para sustentar desejos, ou para que um grupo social
imponha domínio sobre o outro por meio da alienação humana. Provavelmente, é
exatamente isso que tem ocorrido em nossa sociedade atual.
Basicamente, a ideologia de gênero ensina que há
uma ausência de sexo definido ao nascermos. Os Teóricos da “ideologia de gênero” afirmam que ninguém nasce
homem ou mulher, mas que cada indivíduo deve construir sua própria identidade,
isto é, seu gênero, ao longo da vida. “Homem” e “mulher”, portanto, seriam
apenas papéis sociais flexíveis, que cada um representaria como e quando
quisesse, independentemente do que a biologia determine como tendências
masculinas e femininas.
O Plano Nacional de Educação (PNE), sancionado no ano de 2014 (Lei
13.005, de 25 de junho de 2014) foi aprovado sem referências à “Ideologia do
gênero”. Essa foi retirada graças à mobilização popular. Mesmo assim, os
ativistas de movimentos LGBT que são apoiados pelos partidos de esquerda como
PCdo B, PSOL, PT entre outros, tem lutado para que referências à “Ideologia de
gênero” venham a ser absorvidas nos planos municipais de educação.
A “ideologia de gênero” tem ganhado uma grande repercussão nos últimos
anos, em especial pela divulgação nos meios de comunicação, tendo a Rede Globo
como a sua grande defensora e promotora, incluindo o tema em toda a sua
programação. Só o programa “Fantástico”, da referida emissora, já
disponibilizou mais tempo para este assunto como nunca vimos antes para nenhum
outro tema de importância para a sociedade, como a discriminação contra negros,
paralíticos, nordestinos, evangélicos entre outros. As novelas, seriados e
programas de entretenimento estão recheados de inserções camufladas ou não. Em
defesa do tema “ideologia de gênero”, a rede Globo hoje faz uma verdadeira
cruzada em favor do mesmo tema.
O Estado, não sabemos se influenciado pela pressão da mídia ou se por sua
própria ideologia, tem dado um largo espaço no referido assunto nas escolas.
Mas, novamente faço a interrogação, até onde pode ir o poder do Estado contra a
liberdade individual e familiar? Até onde o estado pode ensinar algo como
verdade sem comprovação cientifica? Até onde o Estado pode ensinar algo com
tantas contradições, como sendo verdade? E este, na minha visão, é o grande
problema. Pode o Estado ensinar algo que é uma teoria que carece de lógica, de
fundamentação científica e apresenta uma base ideológica discutível? Pensando
nisso, fiz alguns levantamentos das incongruências desta Ideologia, e dos grupos
ativistas que pleiteiam essas ideias, veja: primeiro, há uma afirmação de que
ninguém nasce homem ou mulher, o sexo é biológico, mas, o “gênero” é uma
construção social. Mas, no entanto, afirmam com todas as letras que uma pessoa
pode nascer “homossexual”, ora, a pessoa não pode nascer homem ou mulher, mas
pode nascer “homossexual”? Não seria um comportamento adquirido? Já que o
gênero é uma construção social? O que nós estamos fazendo com nossas crianças ensinando
esta Ideologia por meio das salas de aula, na mídia e nos livros didáticos não
seria também uma construção social?
Segundo, para defender a “identidade
homossexual”, a “Ideologia de gênero” destrói toda possível identidade. Afirma,
simplesmente, que a pessoa é sexualmente indefinida e indefinível. No entanto
em sua grande maioria, as pessoas que estão engajadas na defesa desta Ideologia
são as mesmas que estão engajadas nos movimentos feministas, que grande
incongruência não é mesmo? Não se tem identidade definida, mas luta pelos
direitos das mulheres?
Terceiro, O “gay” não pode mudar de
orientação; no entanto o heterossexual pode e deve mudar sua orientação sexual.
Inclusive, a psicóloga Marisa Lobo teve o seu registro de Psicóloga ameaçado de
ser caçado pelo Conselho Regional de Psicologia do Paraná por defender que se
alguém buscar ajuda junto a psicólogos para mudança de orientação sexual o
psicólogo pode fornecer esta ajuda.
Quarto, não
pode haver discordância desta Ideologia, pois quem discorda é logo chamado de
homofóbico, e aqui nasce outra contradição já que o termo Homofobia significa aversão irreprimível, repugnância, medo, ódio, que algumas pessoas, ou grupos nutrem
contra os homossexuais, lésbicas, bissexuais, transexuais etc. já pensar diferente ou discordar da
“ideologia de gênero” não quer dizer ódio ou repugnância, isso é totalmente
diferente. Este procedimento parece ser mais uma espécie de mordaça social,
tentando barrar a livre expressão. Exigem tolerância, no entanto são intolerantes
com opiniões contrárias, embora a Constituição assegure no seu artigo V a livre
manifestação do pensamento.
A grande maioria dos defensores da “Ideologia de gênero” são
ligados a partidos políticos com raízes comunistas. No entanto nós sabemos que
a maioria dos países comunistas, como é o caso de Cuba, fuzilaram milhares de
homossexuais. Quantas incongruências!
Tudo isso nos faz ver que a
“Ideologia de gênero” é uma teoria absurda, cheia de incoerências e
contradições. Não pode ser considerada uma teoria científica e por isso mesmo
não pode ser ensinada nas escolas. No entanto, ela é ensinada, e o pior, é
ensinada como verdade. Vem a pergunta novamente, até que ponto o Estado pode
fazer isso com as crianças que lhe são confiadas pelas famílias?

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