Pastor Flávio Neres
Trechos de meu livro: BARTH
E A PREGAÇÃO: CONTRIBUIÇÕES
A PARTIR DO LIVRO “A PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO” PARA O NEOPENTECOSTALIMO
BRASILEIRO.
Como citado anteriormente observa-se o distanciamento entre o
pentecostalismo da primeira onda (pentecostalismo clássico) e o pentecostalismo
da terceira onda, Pois é nesta fase em que são introduzidos liturgias, objetos
e ênfases teológicas distintas que causam desconfianças nas igrejas tradicionais.
Franklin Ferreira enumera algumas destas diferenças:
[...] apesar de possuírem o mesmo
tronco histórico, o pentecostalismo clássico e o neopentecostalismo tem
diferentes ênfases teológicas e usam estratégias distintas em sua atuação no
mundo e junto aos seus fiéis. [...] Os grupos pentecostais de “cura divina” e
neopentecostais são caracterizados por desconfiança das igrejas tradicionais;
oposição a cooperação com outras igrejas evangélicas e a tolerância religiosa;
não exigência de comprometimento dos membros com a congregação, como a
estabelecida nas igrejas pentecostais clássicas, de renovação e históricas;
liderança centralizada e personalista, sendo estruturada segundo um modelo
empresarial; crescimento através do proselitismo e do intensificado uso do
rádio e da televisão; alcance especialmente das camadas mais pobres da
sociedade; ênfase no misticismo, priorizando a realização de curas e os
exorcismo e entendendo que os males tem origem nos demônios; pratica de
reuniões focadas no espetáculo, frisando mais o lado emocional do que o
racional e proporcionando aos participantes uma sensação de vitória; praticas e
elementos usados como símbolos de fé, como, por exemplo, fogueira santa de
Israel, sal ungido, óleo santo de Jerusalém, ênfase no dizimo como
investimento, prometendo retorno multiplicado; ênfase em autoridade
extrabíblicas, como os supostos apóstolos e bispos; demonstração de pouco ou
nenhum interesse por questões doutrinais. Apesar de aparentemente crerem em algumas doutrinas
cristãs e evangélicas, não raro esses grupos são classificados como seitas, por
causa destas marcas. (FERREIRA, 2003, p. 283-284).
Como ver-se são muitas as inovações doutrinárias nesta terceira onda, na
realidade o movimento neopentecostal é um movimento em mutação constante, e
sempre aberto a agregar novas doutrinas e novos modismos. No entanto faz-se
necessário uma análise mais detalhada em alguns destes principais pontos que
mais caracterizam o movimento Neopentecostal..
3.4.1 Prosperidade e cura
O marco que mais evidencia o distanciamento entre as igrejas das ondas
anteriores e as igrejas da terceira onda ou neopentecostais é a ênfase na
teologia da prosperidade.
Joaquim de Andrade narra e esta mudança radical na mentalidade dentro da
igreja evangélica brasileira, expõe aqui o que se pensava antes destes novos
ensinos:
A grande maioria da população (não
cristã) brasileira aprendeu que riqueza era sinônimo da benção de Deus,
enquanto que a maioria evangélica não aprendera assim. Isso porque a ênfase da
pregação evangélica, principalmente pentecostal, era de que os cristãos não
deveriam se apegar as riquezas, coisas terrenas, e que os problemas da vida
(enfermidades, perseguições, falta de dinheiro, etc.) eram provações de Deus
para o seu povo. (ANDRADE, 2014, p.95).
Agora o centro da mensagem neopentecostal passa a ser o dinheiro, e é
assim que Paulo Romeiro (2005, p.107) distingue a mensagem principal das três
fases do pentecostalismo brasileiro: “A primeira onda do movimento pentecostal
enfatizou a glossolalia (falar em línguas); a segunda onda enfatizou a cura
divina; a terceira onda passou a enfatizar o dinheiro, que se tornou a mola
propulsora do neopentecostalismo”.
Desde o principio da década de 1970 a igreja brasileira foi fortemente
influenciada pelos “movimentos da fé”, importados da igreja Americana, e dentro
deste movimento está à teologia da prosperidade, não será aqui exposto
minuciosamente à origem americana. Mas, sobre este movimento Ricardo Gondim,
(1993 p.4) ressalta que:
Nas décadas de 60 e 70 uma corrente
doutrinária varreu todos os Estados Unidos. Um movimento que parecia uma
renovação pentecostal prometendo saúde perfeita, prosperidade e triunfo, a
princípio indicava uma retomada na direção do verdadeiro Evangelho.
Evangelistas desta doutrina de fé e prosperidade tornaram-se imediatamente
famosos. Nomes como: Kenneth Hagin, Kenneth Copeland, Benny Hinn, David
Robertson, Oral Robertson, Fred Price e Paul Crouch significavam não somente
fé, mas também riqueza, fama e sucesso. (GONDIM, 1993 p.4)
Esse movimento chega ao Brasil com muita força, e logo seus ensinos são
introduzidos na igreja brasileira, e a venda de livros, CDs e DVDs sobre o
assunto são vendidos aos milhares, e especial os livros de Kenneth Hagin. Desta
forma há uma grande influência na igreja brasileira, que sofre uma transformação,
e absorve estes ensinos importados em especial a doutrina da prosperidade.
Com promessas de que o mundo seria
locus de felicidade, prosperidade e abundância de vida para os cristãos, herdeiros
das promessas divinas, a Teologia da Prosperidade veio coroar e impulsionar a incipiente
tendência de acomodação de várias denominações pentecostais aos valores e interesses
mundanos das sociedades capitalistas. (MARIANO, 1996, p.28).
É importante frisar que este movimento surge no Brasil depois da crise
econômica no final da década de 1960, onde o regime militar não havia
conseguido dar uma reposta aos anseios da sociedade em especial aos mais
pobres.
Ainda de acordo com Ricardo Mariano (1996, p.31), a Teologia da
Prosperidade logo fez sucesso em solo brasileiro, e muitas igrejas passaram a
reproduzir estes ensinos:
A Teologia da Prosperidade inicia sua trajetória
no Brasil no final dos anos 70. Desde então penetrou em muitas igrejas e diversos
ministérios para-eclesiásticos: Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Internacional
da Graça de Deus, Renascer em Cristo, Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra, Nova
Vida, Bíblica da Paz, Cristo Salva, Cristo Vive, Ministério Palavra da Fé, Missão
Shekinah, ADHONEP (Associação dos Homens de Negócio do Evangelho Pleno), CCHN (Comitê
Cristão de Homens de Negócios).
Os principais ensinos da Teologia da Prosperidade são que: saúde e
prosperidade financeira são um direito de todo crente, e esse tema torna-se a
mensagem central das igrejas neopentecostais em detrimento da mensagem da
salvação.
É neste ambiente que todo o culto é desenvolvido, os “testemunhos” geralmente
são em cima de curas ou bens materiais adquiridos, já a pregação, na maioria
das vezes são em cima de versículos isolados, ensinando a doutrina de que Deus
quer abençoar com bens terrenos e tem a obrigação de responder de forma
imediata, honrando a fé que é medida em forma de oferta, e a lógica é de que, quem
dá mais recebe mais, este é o principio da barganha.
O crente que almeja receber grandes
bênçãos de Deus precisa ser radical na demonstração de sua fé. Deve fazer doações que do ponto de vista do
"homem natural" e do cálculo racional seriam loucura. Precisa dispor de coragem. Deve assumir riscos, doando à igreja algo
valioso como salário, carro, casa, poupança, herança, jóias, caminhão etc., com
a certeza de que reaverá, multiplicado, o que ofertou. (MARIANO,1996, p.38).
3.4.2 Líder
carismático
O carisma do líder é uma característica de suma importância para o
crescimento das igrejas nestes moldes, o líder carismático geralmente demonstram
certa empatia e segurança aos fiéis e usam títulos de bispos ou apóstolos para
se apropriarem de uma imagem de autoridade, fazendo com que multidões os sigam.
Paulo Romeiro acrescenta que:
Geralmente, o líder carismático
demonstra possuir magnetismo pessoal irresistível, atitudes e aparência de
vencedor e entusiasmo constante pela causa ou ideia que defende. O fator
carisma permite-lhe, muitas vezes, agregar, convencer, dominar e até mesmo
manipular seus fãs ou adeptos, gerando um culto a personalidade. (ROMEIRO, 2005,
p. 72)
Esse culto à personalidade carismática do líder dentro das igrejas
neopentecostais se constitui em um perigo, e em muitas pessoas tem-se tornado
decepção, quando o fiel cai em si e compreende que seu líder é um homem como
outro qualquer e também sujeito a erros, muitos chegam até mesmo a se afastarem
da fé.
Carlos Queiroz alerta para esta forma de se medir espiritualidade pela
aparência e carisma e sobre este aspecto ele enfatiza que:
O sacerdote muitas vezes é aceito
dependendo de sua aparência física e da capacidade empreendedora e de
comunicação, não se levando mais em consideração o seu caráter e vida moral.
Carisma e estética no uso dos discursos facilmente escondem os indivíduos de
mau caráter. As máscaras embutidas nas roupas sacerdotais possuem o mesmo
potencial. (QUEIROZ, 2013, p.51).
Nas igrejas neopentecostais com relação a seus lideres geralmente ocorre
que:
Os seguidores sentem-se todo o tempo
dependentes de suas orientações e vivem segundo sua aprovação. Para muitos
adeptos do neopentecostalismo, esses lideres são responsáveis pela mediação
entre o povo e as bênçãos de Deus. (ROMEIRO, 2005, p.74).
Ainda neste sentido é que Joaquim de Andrade (2014, p.95) entende que esse culto à personalidade faz parte do processo de
secularização que tem chegado às igrejas quando afirma que:
O secularismo tem invadido hoje as
igrejas e muitos estão mais preocupados com “homens poderosos” do que com
homens santos; pregadores que fazem mais sucesso aqui na terra do que no céu.
Estamos querendo super-heróis que dão um verdadeiro show nos púlpitos das
nossas igrejas.
Carlos Queiroz (2013, p. 34-35) por sua vez alerta para outro mal que
também nasce com este processo: a egolatria, e isso têm crescido no coração de
muitos lideres, em decorrência de todas essas inovações trazidas pelos
neopentecostais favorecendo a criação de um ambiente de egolatria.
Denominamos aqui de espiritualidade
ególatra aquela que é caracterizada pela pratica religiosa em que a ambiência
favorece a promoção de superestrelas e o fanatismo dos clientes em torno de
lideres carismáticos e narcisistas. A síndrome de Lúcifer é marca principal da
egolatria. Os ególatras querem assumir o lugar de Deus, receber as honras que
são devidas somente ao Senhor. Procuram viver de maneira nababesca com as
oferendas dos clientes fanáticos ou ingênuos; alimentam nos devotos uma atitude
de prostração e obediência cega: “ Tudo isso te darei se prostrado me obedeceres
O certo é que no neopentecostalismo o líder carismático faz parte desta grande
engrenagem que gira atraindo novos adeptos, e contribuído diretamente para o
crescimento destas igrejas na atualidade.
3.4.3 Hermenêutica
O neopentecostalismo elaborou uma formula própria de se apropriar do
texto sagrado. Como a pregação é sempre utilitarista e sempre focada na
prosperidade, cura e exorcismo, geralmente o texto é moldado a se adequar a
isso.
Segundo Paulo Romeiro (2005, p. 117): “Boa parcela do movimento não se
preocupa com a interpretação cientifica do texto bíblico e com as ferramentas
necessárias à hermenêutica”.
É neste sentido que doutrinas que são colunas do cristianismo são
esquecidas nos púlpitos neopentecostais, mensagens sobre a cruz, salvação, e a
vida eterna como também a volta de Cristo, quase nunca são pregadas, até mesmo porque
o sermão não é a parte principal do culto. E geralmente são mensagens de autoajuda,
mensagens antropocêntricas, onde o enfoque se dá em cura da alma, batalha
espiritual e promessas de riquezas etc.
Outro aspecto da mensagem neopentecostal é que geralmente são baseadas
em textos e personagens do Antigo Testamento. De acordo com Paulo Romeiro
(2005, p. 123):
Uma das características da pregação
neopentecostal é a enorme dependência de textos e personagens do Antigo
testamento. Um dos textos mais populares é o de Malaquias 3:10:”Trazei todos os
dízimos a casa do tesouro, para que haja mantimento em minha casa; e provai-me
nisto, diz o Senhor dos exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não
derramar sobre vós benção sem medida”. Nada de se estranhar, haja vista a
tônica da teologia da prosperidade.
O grande problema da pregação neopentecostal é justamente a falta de uma
exegese bíblica, onde erros primários são cometidos, ler texto sem contexto, firmar
doutrinas com versículos isolados, não atentar para os fatores históricos. Ankerberg
e Weldon (1996, p.34) esclarecem em poucas palavras o porquê desta anomalia
quando dizem quê:
Os pregadores da fé distorcem as
Escrituras por verem a Bíblia a luz de uma filosofia geral de “fé” e
espiritualidade que não é bíblica. Desse modo, quando a bíblia é removida do
seu contexto histórico e lida de acordo com a filosofia de uma cosmovisão
estranha, o seu significado fica naturalmente deturpado.
Desta forma percebe-se a deficiência e objetivos na mensagem que saem dos
púlpitos neopentecostais, deficiência no verdadeiro ensino bíblico onde Deus e
não o homem seja o centro.
3.4.4 Misticismo
Outras distorções que se percebe nos cultos neopentecostais, são as
introduções de elementos místicos e amuletos. O uso destes amuletos se tornam
verdadeiros atos de idolatria, que também são usados para arrecadar dinheiro, Joaquim
de Andrade deixa muito claro isso quando testemunha que:
Os objetos usados em muitas igrejas
são, entre outros: rosa ungida, óleo ungido, aliança ungida, caixinha de
promessas, pó do amor. Eu visitei esta igreja na campanha do pó do amor, na qual o
cônjuge deveria pegar o tal pozinho e espalhar no quarto, esperando o marido ou
a esposa chegar. Xampu ou lenços ungidos são usados também com um ritual
especifico. No caso do lenço, este vem dentro de um envelope que deve ser
molhado com lágrimas. A pessoa deveria desenvolver o envelope com um donativo
mínimo de um dólar. No verso do tal envelope estavam escrito os dizeres: “No
pedido, o maior; na oferta, o melhor; porque Deus ama a quem dá com alegria”.
Outra campanha é a dos sete grãos de milho em uma garrafa de água durante sete
dias, a fim de que membros da família se convertam. Também existem as campanhas
do alecrim e da arruda, que lembram em muito a umbanda; o túnel do amor; galho
de oliveira, vara de Jacó, areia da praia da Galileia. Tudo isso não passa
de idolatria. Isso porque as pessoas, ao invés de depositarem sua fé no único
Deus verdadeiro, passam a adorar tais coisas. Tal atitude é condenada na
Bíblia: “Quem sacrificar aos deuses e não somente ao SENHOR será destruído.”
(Ex 22:20) (ANDRADE, 2014, p.90-91).
As igrejas neopentecostais estão afastando seus fiéis do criador, do cristianismo e do próprio Jesus Cristo, e
estão colocando objetos e amuletos em seu lugar, os neopentecostais já não se
diferenciam muito dos católicos naquilo que é concernente à idolatria. Indo
mais além, se compara ao catolicismo da idade media tempo das indulgências,
onde se pagava por tudo inclusive a salvação.
Joaquim de Andrade (2014, p.93) entende que esta prática de se buscar
amuletos, sinaliza uma falta de fé, e que pode inclusive ter efeito contrário,
que ao invés de se achar benção se encontra a maldição:
O uso de amuletos não é demonstração de
fé, mas da falta dela. Evangelho não é ver pra crer, mas sim crer para ver.
Deus não opera por meio de objetos e amuletos, sejam eles quais forem. A
atitude de fé é esperar no Senhor e Nele depositar a nossa confiança. Se
dividirmos a nossa fé entre Deus e os amuletos, estaremos coxeando entre dois
pensamentos, numa clara atitude de dúvida e incredulidade. Ao contrário do que
se possa pensar, ao invés de trazer benção, os amuletos podem ser sinal de
maldição, uma vez que representam a dúvida que temos de que Deus realmente vai
operar em nossas vidas.
Não bastassem todos estes objetos e amuletos que se atribuem virtudes
mágicas com a promessa de trazer bênçãos, saúde, prosperidade material e
proteção ao portador, criaram-se também as campanhas e correntes.
Como se da a entender, uma corrente que unida com vários elos, assim
deve ser a corrente feita nas igrejas neopentecostais, deve ser vários dias
seguidos, mas, sempre lembrado do púlpito que a corrente não pode ser “quebrada”,
ou seja, não se pode faltar, impondo ao fiel sua presença na igreja em todos os
dias da corrente.
Estas campanhas e correntes também exigem dos líderes das igrejas, cada
dia mais criatividade, como por exemplo: “corrente de libertação”, para
libertação de pessoas com vícios e também de parentes aprisionado por demônios;
“corrente da sagrada família”, em prol da restauração da família; e assim por
diante. Joaquim de Andrade (2014, p.89) afirma que:
Nas chamadas correntes, promovidas por
igrejas, os templos são decorados com faixas que convidam as pessoas a
solucionarem problemas das mais variadas naturezas (familiar, sentimental,
financeiro etc.) através da corrente daquela igreja.
Joaquim de Andrade tem ainda o entendimento de que:
Não é pecado fazer, por exemplo,
campanha de 7 dias de oração em favor de uma causa. Todavia, a partir do
momento em que se dá um caráter místico a tal campanha isso é superstição –
como, por exemplo, proibir as pessoas de faltarem um dia de campanha por temor
de perder a benção almejada. (ANDRADE, 2014, p.89)
É neste sentido que Paulo Romeiro
(2005, p.127) expressa que: “Campanhas, propagandas, objetos e símbolos são
renovados quase semanalmente, distanciando-se cada vez mais de suas raízes no
pentecostalismo tradicional”
3.4.5 Uso midiático
Novamente percebe-se, neste aspecto uma mutação no pentecostalismo da
terceira onda em relação a suas antecessoras. Pois, nesta fase é nítido o uso
intensificado da televisão. Com relação ao
uso da mídia, Paulo Romeiro (2005, p.81) também faz uma comparação em relação
às três fases do pentecostalismo:
A primeira onda do pentecostalismo usou
o evangelismo pessoal, a literatura (distribuição de folhetos) e as reuniões ao
ar livre como métodos de proselitismo. A segunda onda valeu-se desses métodos e
agregou o evangelismo radiofônico. Já a terceira onda somou todos esses métodos
e investiu agressivamente no televangelismo.
As três maiores representantes do neopentecostalismo no Brasil que são a:
Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus e
Igreja Mundial do Poder de Deus, investem maciçamente na mídia, em especial na
mídia televisiva.
Ozean Gomes e Roberto dos Reis (2014, p.111) demonstram isso quando
informam que pelo montante de quarenta e cinco milhões de dólares Edir Macedo
compra a TV Record de Silvio Santos (dono do SBT), e que hoje é uma das maiores
emissoras do Brasil, passando a valer cerca de dois bilhões de dólares, com valores
estimados em 2007.
Ainda de acordo com Paulo Romeiro (2005, p.82) o recordista de aparições
na televisão brasileira é o missionário R.R. Soares, o qual tem investido
também com horários pagos na TV, rivalizando com seu cunhado Edir Macedo nos
meios eletrônicos. Paulo Romeiro (2005, p.82) informa que:
Em 2001, o Ministério das Comunicações
concedera a Rede Internacional de Televisão (RIT) quatro retransmissoras de TV,
duas delas em capitais (Manaus e Natal). Soares já havia comprado uma geradora
em Dourados (MS). Com esses novos canais, a igreja da Graça passava a contar
com 31 retransmissoras.
O grupo possui ainda a Graça
Multimídia, que envolve as emissoras de rádio e a gravadora, além de uma
editora, a Graça Editorial
Valdomiro Santiago da
Igreja Mundial do Poder de Deus, também segue no mesmo sentido de seus
antecessores, e aluga diversos horários e em várias emissoras no Brasil. Com
uma visão mercadológica esta disputa por espaço na mídia é constante no meio
neopentecostal, assim como um marketing cada
dia mais criativo em busca de novos adeptos.
Sobre esta ação da igreja com visão mercadológica é que Carlos Queiroz (2013,
p.45) afirma que: “O comércio do produto religioso tem sido praticado com muita
eficácia. Os seus empreendedores utilizam técnicas de marketing e comunicação e
de todos os meios possíveis de magia e fetiche”.
São com estas principais características que se identifica o movimento
neopentecostal, ainda há outras características que são coadjuvantes e não se
fazem ser observadas neste momento.
Foi apresentado neste capítulo o princípio do movimento neopentecostal,
seus principais expoentes no Brasil e as suas principais características. No
capitulo a seguir será apresentado às contribuições de Karl Barth para correção
destas anomalias na pregação neopentecostal.