quarta-feira, 18 de julho de 2018

NÃO QUERO ME ACOSTUMAR




                                                                                         Pr. Flávio Neres



Minha compreensão humana se vê diariamente diante de coisas que não consigo entender e muito menos me acostumar. Há coisas que são feitas por pessoas que me faz duvidar se o ser humano é realmente um ser racional ou se é simplesmente um perfeito idiota.
Cada dia fica mais claro o porquê de as leis serem criadas, primeiro para a preservação individual como também coletiva, mas, também para a preservação dos animais e da natureza, mas acima de tudo para guardar-nos de toda a nossa própria insensatez. Mas, o que fazer quando estas leis são feitas para respaldar nossa própria insensatez como seres humanos? Posso citar como exemplo o caso da vaquejada, aqui no estado do Ceará e em outros estados vizinhos também, que em nome do espetáculo e o sustento de algumas pessoas, se agridem animais indefesos. Mas é a cultura, afirmam alguns! Não, não consigo me acostumar com isso!
Não consigo compreender a idiotice, (e este é o termo correto) da pessoa que solta balões nos dias de hoje, colocando em risco aviões, casas, florestas e animais, pelo simples prazer de tal atividade.
Também é em nome dessa idiotice, que dizem ser cultura, que anualmente milhares de pessoas de Barbalha, (município cearense) sobem a serra do Araripe bebendo cachaça e sem dó nem piedade cortam a árvore mais alta que acharem, aquela que levou vários anos para chegar ao porte que chegou.
Em seguida descem a serra para expor essa mesma arvore à vergonha pública, passando nas principais ruas da cidade alimentando a superstição de milhares que pensam que por tirarem uma lasquinha de seu tronco e fizerem um chá, arranjarão um casamento. Durante três dias aquela arvore, já morta, fica exposta em prol de uma festa religiosa e, por fim, não sabemos o destino que é dado a essa madeira. Mas, o certo é que em nome da cultura, aquela árvore que levou anos para crescer diverte os “racionais” humanos durante três dias. 
E o que dizer do ser humano que, com as atitudes animalescas, mata seu semelhante por causa de futebol, porque o time ganhou ou perdeu, ou por qualquer outro motivo? Muitas vezes, já sai de casa para o estádio com este intuito de agredir, não se importando quem seja a vítima, contanto que esteja torcendo por aquela agremiação que não seja a que ele torce. Inacreditável! Incompreensível! Tanta idiotice, não quero me acostumar. Tem como se compreender um ser como esse?
Assim como também não quero me acostumar com o que as televisões mostram diariamente quando alguém é assassinado e crianças realizam festa ao lado do corpo, da pessoa morta, do ser humano caído na rua após ser lhe tirado o direito à vida, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Bem como o anúncio deste trágico acontecimento ser apresentado nos programas como DESTAQUE!  Destaque deve ser aquilo que enaltece a vida, destaque deve ser aquilo que valoriza o ser humano. Não quero me acostumar com um jovem tirando a vida de outro por dívida de drogas. Não quero me acostumar com leis que são criadas para beneficiar o bandido, assassino, ao invés da família da vítima.
Não, não quero me acostumar! Não quero me acostumar com pescoço de motoqueiro sendo degolado, porque soltar pipa é coisa de criança. Não quero me acostumar com o político que rouba enquanto milhares de pessoas estão morrendo nas filas dos hospitais. Não, não quero me acostumar com vidas que são perdidas pelo fato de alguém beber e fazer de seu veículo uma arma. Não quero me acostumar em ver o dinheiro de meus impostos ir para a mão de algum político corrupto e os serviços públicos serem uma verdadeira porcaria. Não quero me acostumar com aquele que se faz de sacerdote alegando cuidar da alma das pessoas. No entanto, o intuito é cuidar dos bens materiais, se dizendo ser ovelha e não passar de um lobo. Não quero me acostumar em ver as Escolas e Universidades serem verdadeiros redutos ideológicos.
Não, eu não quero me acostumar com tantas outras coisas, com tantas coisas ruins que me cercam e que tenho visto e vivido nestes tempos. Mas, apesar de tudo contribuir para roubar a minha esperança, quero continuar crendo que o quadro pode ser mudado e o nível de idiotices possa ser baixado.

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