Pastor Flávio Neres
Ao longo dos tempos,
percebemos uma constante mudança da forma de disseminação dos conhecimentos
históricos. Há uma constante mudança nas determinações curriculares e do
conteúdo a ser trabalhado em sala de aula, como podemos ver resumidamente a
seguir.
Já em meados do século XIX
que, sob influência dos pensamentos Liberais e Iluministas, houve uma
valorização na área de humanidades destacando-se aqui as disciplinas de
história e geografia que tiveram um papel de suma importância, à princípio, na
instrução de jovens e crianças e na formação de uma identidade que afirma o
sentimento de pertencimento a uma nação e seu espaço.
No Brasil, este intuito na
formação de um espirito patriótico, a disciplina de história também teve um
relevante papel na construção de uma memória histórico escolar. Primeiro com as lições da guerra holandesa na
formação dos mandatários de nossa nação e, posteriormente, com a inconfidência
mineira na formação dos cidadãos brasileiros.
Somente quando estudamos a
Escola de Annales, percebemos a grande guinada na finalidade do ensino de
história, que se dava até então com a divulgação de uma biografia da nação como
pedagogia na formação do cidadão. A proposta dessa escola se dava em abandonar
a história guiada por fatos eminentemente políticos, e que assim se ampliasse a
visão, passando a abordar aspectos econômicos, políticos, sociais, culturais,
religiosos, etc.
Especificamente no Brasil,
houve mudanças mais significativas depois da ditadura militar que terminou em
1985, mudanças essas ocorridas em respostas ás pressões exercidas pelo
movimento de docentes de história, ampliando os temas abordados em sala de
aula, sendo introduzido novos temas como o da história dos indígenas, dos
afrodescendentes, da história da mulher e da criança.
Com a promulgação da
Constituição de 1988, temos um avanço significativo na educação em todos os
sentidos, que agora vem respaldada com garantias e direitos individuais e
sociais. Podemos ver nesta carta a forte influência do Liberalismo Social. E
esta mudança se reflete nos livros didáticos e nos programas de ensino de
história em todo o Brasil, fazendo assim a introdução de novos temas que até
então eram ausentes das aulas de história. Isso enriqueceu a
formação/construção da cidadania e melhorou significantemente a qualidade do
pensar historicamente dos alunos.
Embora tenhamos avançado
tanto, todas essas conquistas foram em parte mal utilizadas nos últimos treze
anos de governo do PT no Brasil, pois percebemos também que neste período foi
introduzida uma carga ideológica, que trouxe também um grande mal para a nossa
geração.
Vemos que os métodos e
currículos têm mudado ao longo dos tempos e que o professor de história tem um
papel fundamental na formação de novas gerações, na construção de jovens e
crianças para o exercício de cidadania. Por isso, hoje o professor deve ter em
mente que a compreensão dos métodos de ensino e os materiais usados são
importantes, mas, acima de tudo deve ter a consciência do papel a desempenhar
na busca dos mais elevados interesses sociais.

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