Na sociedade
contemporânea, somos testemunhas de uma era marcada pelo culto ao prazer
individual, uma época que alguns denominariam como hedonista. Neste contexto, o
prazer é exaltado como o supremo bem da vida humana, uma ideia que remonta aos
primórdios da filosofia grega, especificamente na época pós-socrática, onde o
hedonismo começou a ganhar destaque. Entre os seus mais ardentes defensores
estava Aristipo de Cirene.
O hedonismo moderno busca
ancorar-se em uma compreensão mais ampla do prazer. Nesse sentido, observamos
uma busca incessante pela satisfação pessoal e pelos prazeres efêmeros que o
mundo oferece. Não é surpreendente, portanto, o aumento vertiginoso do consumo
de drogas, práticas homoafetivas e o vício em jogos eletrônicos, sintomas de
uma sociedade em constante busca pelo êxtase individual.
Contudo, paradoxalmente,
esta era hedonista também testemunha um aumento alarmante nos casos de
depressão e suicídio. Em meio à busca pela individualidade e à perseguição dos
prazeres fugazes, o ser humano parece estar se perdendo de si mesmo. O que se percebe
é uma busca incessante pelo prazer com o objetivo de preencher o vazio
existencial, enquanto a sua real necessidade de realização espiritual, não está
sendo suprida, o que automaticamente não o levará a realização pessoal.
A busca pela
individualidade é uma característica marcante da pós-modernidade. Vivemos em
uma sociedade que valoriza a liberdade e a autonomia individuais, incentivando
cada indivíduo a buscar a sua própria felicidade. No entanto, essa busca
desenfreada pela satisfação pessoal, sem cuidar da sua vida espiritual, pode
levar a esse vazio existencial, uma sensação de falta de propósito e
significado na vida.
É importante ressaltar
que o hedonismo, em sua essência, não é necessariamente uma filosofia negativa.
A busca pelo prazer pode ser vista como uma expressão legítima da busca pela
realização humana. No entanto, quando o prazer se torna o único objetivo da
vida, quando ele é perseguido de forma indiscriminada e desenfreada, pode-se
cair em uma armadilha perigosa.
O filósofo grego Epicuro,
contemporâneo de Aristipo, propôs uma visão do hedonismo mais equilibrada,
conhecida como hedonismo ético. Para Epicuro, o verdadeiro prazer não está nos
excessos hedonistas, mas sim na moderação e no equilíbrio. Ele defendia uma
vida de prazeres simples e naturais, onde a busca pelo prazer era acompanhada
pela busca pela virtude e pela sabedoria. Tudo bem até aí, se essa sabedoria
inclui os valores divinos. O sábio Salomão ao escrever o livro de Provérbios,
diz no capitulo 1 versículo 7: “O temor do Senhor é o princípio do
conhecimento, mas os loucos desprezam a sabedoria e a instrução.” O Senhor
Jesus com relação as solicitudes dessa vida aconselham: buscai, antes, o Reino
de Deus, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.
É preciso, portanto,
encontrar um equilíbrio entre a busca pelo prazer e a busca pelo significado na
vida. O hedonismo desenfreado pode levar à alienação e ao vazio existencial,
enquanto uma vida guiada pela virtude e pela sabedoria e fé em Deus pode levar
a uma realização mais profunda e duradoura.
Nesse sentido, a
pós-modernidade nos desafia a repensar o nosso relacionamento com a busca pela
felicidade. Precisamos encontrar formas de não cair na armadilha do hedonismo
desenfreado, cultivando uma vida de equilíbrio, moderação, sabedoria e acima de
tudo espiritual. Somente assim poderemos verdadeiramente nos encontrar e
alcançar a tão almejada felicidade.
