quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Entre o falso e o verdadeiro Evangelho



                                                                                                                    Pr. Flávio Neres




Atualmente, tem surgido diversas novas denominações Evangélicas com os mais variados motivos e doutrinas, e na mesma proporção tem crescido o número de escândalos de toda ordem, principalmente os que dizem respeito ao financeiro, chegando até mesmo a abalar a credibilidade das Igrejas Evangélicas num contexto geral.
Devido a tudo isso, muitas pessoas têm criado uma resistência de receberem o Evangelho ou querer visitar uma Igreja evangélica, mesmo sendo de uma denominação séria e que quer única e exclusivamente levar o Evangelho de Jesus. As pessoas estão ressabiadas e desconfiadas, nunca sabem se quem está lhes falando é alguém que verdadeiramente está a serviço de Jesus e quer lhe levar o Evangelho da salvação ou um embusteiro que, embora com a Bíblia nas mãos, deseja pelo engano e distorção do evangelho, somente tirar proveito financeiro. Devido a estes embusteiros chegamos à triste realidade de muitos acreditarem seriamente que no meio cristão só há vigaristas, e quando se fala em pastor então, aí o caso fica mais sério ainda.
Algumas pessoas encontram dificuldades em identificar o verdadeiro evangelho em meio à avalanche de heresias e falsas doutrinas que estão sendo propagadas diariamente, tanto nos púlpitos das igrejas quanto nos lares, quer seja por meio do rádio, televisão ou das redes sociais.
Quero aqui sugerir um método muito simples de se diferenciar de imediato o falso Evangelho do verdadeiro. Ora, esse método não necessita de conhecimento teológico profundo, mas, tão somente de observação. Consiste no seguinte: em primeiro lugar, o verdadeiro Evangelho tem como base as coisas espirituais, tais como a salvação da alma, obediência a Deus etc. Já o falso, tem como base o enfoque nas coisas terrenas, e a busca de prosperar financeiramente e como fazer sucesso nesta sociedade.
Em segundo lugar, a pregação dos falsos mestres é geralmente no sentido de que Deus está sempre “obrigado” a mudar as situações que nos cercam. Deus tem que dar o carro novo, Deus tem que curar, Deus tem que fazer isso ou aquilo. Já a pregação da verdade, aponta sempre para a vontade de Deus em mudar a pessoa, mudando o caráter, a mente, os desejos e vontades. Esse é o verdadeiro Evangelho.
Ou seja, se a pregação diz que, se sou pobre, Deus tem que me dar riqueza, se estou enfermo, Deus tem que, obrigatoriamente, me curar, se estou com problemas Deus, vai ter que tirar os problemas, e se Deus nunca exige mudanças de minha parte, mas, pelo contrário, eu é que estou exigindo de Deus, esse Evangelho é falso. Embora Deus tenha poder e possa fazer todas estas coisas, Ele não fará pela vontade humana ou pelos métodos humanos empregados fora do respaldo da Palavra de Deus.
Quando, porém, o que está sendo pregado no púlpito é para gerar em nós mudanças e dependência de Deus: “Quem quiser me seguir tome a sua cruz negue-se a si mesmo... (Lc 9:23)” “Aquele que roubava não roube mais” (Ef 4:28).  Se alguém está em cristo é nova criatura” (2Co 5:17).  Se a pregação te ensina viver as coisas do Espirito e abandonar as coisas da carne, ensina não amar as coisas do mundo “Se amo as coisas do mundo o amor de Deus não está em mim...” (1Jo 2:15).  Não amar o dinheiro e outras instruções neste sentido, aí sim, é um bom sinal que essa igreja ou essa pessoa está pregando o verdadeiro evangelho. Porque o verdadeiro evangelho é poder de Deus para transformar vidas.
Uma outra coisa a se observar é a forma que esses “benefícios” são alcançados: se a igreja ou pregação te oferece mudanças de situação e te exige algo em troca, principalmente financeiro, isso se concretiza como um falso evangelho. Deus opera na vida de uma pessoa pela obediência desta a ele e nunca por barganha.
O interessante a se observar também é que as igrejas que fazem mais “sucesso” são aquelas que oferecem a mudança das circunstancias ao invés de mudança das pessoas, pois há uma tendência natural do ser humano a querer tudo sem esforço, sem mudanças, e por isso essas pessoas são atraídas, não por Jesus, mas pela facilidade de “resolver” seu problema. No entanto, isso contraria a própria Palavra de Deus, que nos ensina que só vai receber a coroa da vitória aquele que perseverar até o fim, ou seja, há uma necessidade de esforço para seguir o Evangelho verdadeiro.
É importante ressaltar ainda que a oração pedindo mudança de situação não é errada desde que não seja imposta a Deus essa mudança e tendo em mente que Deus quer mudar primeiro o nosso interior. Foi por isso que Jesus disse primeiro ao paralitico de Cafarnaum: filho os teus pecados estão perdoados e só depois Ele mudou a situação daquele paralitico: toma o teu leito e anda.
Para concluir, eu só quero te dizer que Deus sempre quer o melhor para nós. Por isso, confie Nele plenamente, busque ouvir a sua voz, busque agrada-lo com sua vida, “entrega o teu caminho ao Senhor confia Nele e o mais Ele fará”. Busque uma Igreja que sirva a Deus em verdade e pregue o Evangelho Genuíno, sem atalhos. Deus pode fazer o impossível em nossas vidas é verdade, mas, Ele quer nos transformar para que a cada dia fiquemos mais parecidos com Jesus, seu filho amado, que lhe foi obediente em tudo. Deus é um Deus abençoador, não porque eu o coloco contra a parede exigindo ou porque eu faço uma campanha de sete dias e neste período Ele obrigatoriamente terá que me abençoar, não Deus é abençoador porque Ele tem prazer em compensar a nossa dependência, em ver a nossa submissão e acima de tudo em nos ver reconhecendo que a maior riqueza é a salvação eterna e a vontade de vivermos eternamente em sua santa presença.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

A FACE DA MORTE ANTE A FACE DA VIDA



                                                                                                                  

Estive recentemente no velório da sogra de nosso querido Pr. Edson Silva, e entre uma conversa e outra, eu fazia ali algumas reflexões sobre a importância de estar ali naquele momento, e lembrei-me que é justamente isso que a Bíblia no livro de Eclesiastes nos orienta: “Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete; porque naquela se vê o fim de todos os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração” (Eclesiastes 7:2).

A Bíblia diz que melhor é estar em um velório porque ali se medita sobre nosso fim, se medita também sobre a vida, e mostra quem realmente somos, trazendo o homem para sua realidade.

Fiz algumas reflexões ali, primeiro que: a irmã Mara, esposa do Pr. Edson, naturalmente estava muito abatida com a morte de sua mãe, mas, ali estava acontecendo o processo natural, que é de os filhos enterrarem seus pais, e ela estava ali cumprindo o seu papel, iria enterrar sua mãe, processo esse que está sendo invertido na sociedade atual devido à violência, pois, a cada dia vemos mais os pais enterrando seus filhos.

Segundo: Há um círculo em nossa existência, nascer, viver e morrer, embora não nos conformamos com a última etapa desse processo, que é a morte. Isso se deve ao fato de que não fomos criados para morrer e sim para a eternidade. Deus fez o homem para viver eternamente. A morte entrou na trajetória humana pela desobediência de Adão, o primeiro homem e representante de toda a humanidade.  “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram (Rm 5:12).”

Terceiro: Poucas pessoas se preparam para o momento em que a morte chegar. Sabemos que há uma preparação para nascer, para viver, mas, nunca para morrer. Para nascer os pais preparam o enxoval, o quarto, as roupinhas e tudo mais que o bebê precisa para vir ao mundo. Para viver é que nos preparamos mesmo, com os estudos, para passar na faculdade, para escolher uma profissão, para nos casar, para termos filhos e tudo mais. No entanto, para morrer quantos se preparam? São pouquíssimos! Que é isso Pastor? Quem é que fica pensando em sua própria morte? Como é que alguém pode se preparar para a morte? Primeiro, é necessário a compreensão de que cada ser humano tem um espirito que habita em um corpo e, ao morrer, o corpo volta ao pó. Mas, o espirito terá um destino que será dado por Deus. Esta é a lei da vida. Morre o corpo, volta para o pó de onde foi tirado: “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Génesis 2:7). O espírito abandona o corpo e volta para Deus, que o deu: “E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu”.  (Eclesiastes 12:7).

Há uma promessa por parte de Jesus nas Santas Escrituras com relação á vida eterna, pois a morte é inevitável. Mas, aquele que entrega sua vida a Cristo pode crer na promessa que diz: “Disse-lhe Jesus: "Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente. Você crê nisso? " (João 11:25,26).

Da mesma forma que o pecado trouxe condenação e morte ao homem, Jesus Cristo trouxe perdão e vida a todos os homens que o recebem como salvador.

“Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo. Mas cada um por sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda”. (1 Co 15:21-23)

Quarto: nossa vida é muito curta, ela passa muito rápido, querendo ou não, pensando ou não, daqui a alguns dias teremos um encontro com a morte. Como temos vivido nossos dias? Como temos nos relacionado com Cristo? Estou preparado para quando chegar o dia?

Que este texto te faça refletir como eu refleti naquela noite diante daquele corpo inerte, já sem vida, e que você a cada dia valorize sua vida como um presente de Deus. Mas, também, tome a decisão de entregar sua vida completamente a Jesus Cristo que é o autor da vida.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

A SOBERBA HUMANA


                                                                                                           

Assim diz o senhor: “Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força, nem se glorie o rico na sua riqueza. Mas o que se gloriar glorie-se nisto: em me conhecer e saber que Eu sou o Senhor, que faço misericórdia juízo e justiça na terra, porque destas coisas me agrado diz o senhor” (Jeremias 9:23-24).

 

Deus conhece o homem que criou, assim, fica claro o porquê dessa advertência, Ele sabe que força, riqueza e sabedoria (sendo mal administradas) podem afastar o homem de sua presença e sua vontade. Tenho sido uma testemunha ocular de fatos assim e da soberba humana. Visto homens que, pelo simples fato de possuírem alguns títulos acadêmicos, se colocam num patamar de superioridade, menosprezando seu próximo e até mesmo passando a duvidar da existência de Deus. A estes que se acham tão sábios é oportuno fazer a perguntar que Paulo fez aos Coríntios: “onde está o sábio? Onde o escriba? Onde o inquiridor deste século? Não tornou Deus loucura a sabedoria deste mundo?” (1Co 1:20).

          Outros, por terem uma destacada posição social, ou por estarem ocupando um cargo elevado ou em uma posição de gerenciamento em uma grande empresa, por exemplo, se acham tão fortes ao ponto de humilhar aos que estão lhe sendo subordinados. Estas pessoas se sentem tão superiores, que muitas vezes, não respeitam o próximo, passam a frente dos outros nas filas, não respeitam a sinalização de trânsito, sonegam impostos e se acham inalcançáveis pelas leis humanas. Acham que não necessitam de Deus, esquecem-se de que esta vida é breve e que seus cargos, sua posição de poder e sua força nesta terra irão passar. “Medistes os meus dias como a palmos; o tempo da minha vida é como nada diante de ti. Todo homem é como um sopro” (Sl 39:5). Esquecem que todos nós prestaremos conta de nossos atos aqui nesta terra: “...de modo que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus” (Rm 14:12).

 

            Mas, com certeza, as riquezas por estarem diretamente ligadas aos prazeres deste mundo, são so fatores que mais atraem os homens e que mais os tem afastado de seu criador. Por isso, Deus alerta “não se glorie o rico em sua riqueza...”. O Senhor nos adverte ainda: “Mas os que querem ficar ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, as quais submergem os homens na ruína e perdição” (1Tm 6:9).

O salmista adverte ainda: “Todo homem anda com uma sombra: em vão se inquieta; amontoa riquezas, sem saber quem as levará” (Sl 39:6).

Mas, mais importante que ser um sábio aos olhos do mundo, ter a força provisória do poder terreno ou ainda ter as riquezas materiais é ter a sabedoria que vem do alto e nos instrui no caminho da verdade por meio da palavra de Deus, pois é poderosa para transformar tanto ricos quanto pobres, fortes quanto fracos e mesmo o maior sábio quanto o mais humilde dos homens em conhecimento.

Deus nos chama a ter este relacionamento com ele, de lhe conhecermos assim como um filho conhece o Pai, conhecer sua misericórdia e amor, mas também a sua justiça e o seu juízo. Este, sim, é o maior poder e nossa maior força e riqueza.